CentroesteNews
12/05/2025
Anna Vitória Bispo
Uma pesquisa realizada em abril mostra que 90% dos brasileiros com mais de 18 anos acreditam que adolescentes não têm apoio emocional e social suficiente para lidar com o ambiente digital, especialmente nas redes sociais. O levantamento ouviu mil pessoas conectadas à internet em todas as regiões do país.
Entre os entrevistados, 70% defendem a presença de psicólogos nas escolas como forma de enfrentar os desafios impostos pela hiperconectividade e pelas pressões das redes. Bullying, depressão, ansiedade e pressão estética estão entre os principais problemas enfrentados por jovens atualmente.
A pesquisa foi realizada pelo Porto Digital em parceria com a Offerwise, a partir da repercussão da série Adolescência, da Netflix. Para o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, é necessário humanizar o uso da tecnologia. “O futuro da inovação está diretamente ligado à forma como cuidamos dos nossos jovens”, afirmou.
Pais perdem o controle à medida que filhos crescem
O levantamento mostra que o controle parental sobre o uso da internet diminui com a idade dos filhos. Entre crianças de até 12 anos, o monitoramento é mais rígido, mas entre adolescentes, os pais oferecem mais autonomia — e apenas 20% pretendem usar ferramentas de controle no futuro.
Julio Calil, diretor da Offerwise, defende a criação de espaços de acolhimento e orientação para pais e jovens, reforçando que a proteção no ambiente digital deve ser um esforço coletivo entre escolas, famílias e governos.
Riscos crescem com menos moderação nas plataformas
O professor Luciano Meira, da UFPE, alertou para os impactos da redução da moderação de conteúdo nas plataformas digitais, o que expõe jovens a ódio, desinformação e conteúdos inadequados. Ele defende a regulação das redes sociais, citando o PL das Fake News, travado na Câmara dos Deputados, como medida necessária para garantir um ambiente online mais seguro.
Meira também apontou a importância do diálogo e da confiança entre pais e filhos, defendendo limites claros para o uso das redes e o incentivo a relacionamentos presenciais. Ele vê com bons olhos iniciativas como a proibição de celulares em escolas, como forma de reconectar crianças com o mundo offline e promover relações sociais mais saudáveis.