Uma denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) colocou uma pastora de 55 anos no centro da investigação da Operação Fariseus, que apura a atuação de um grupo familiar suspeito de auxiliar integrantes de uma organização criminosa em Mato Grosso.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Orminda Carlos de Barcelos teria utilizado sua participação no projeto religioso “Resgatando Vidas”, realizado dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), para manter contato com integrantes da facção. Para os investigadores, a atuação teria ido além das atividades religiosas.
Entre os elementos citados na denúncia estão mensagens trocadas entre Orminda e a filha, Rhavenna Barcelos. Em uma das conversas, as duas teriam tratado da busca por uma arma que seria posteriormente comercializada.
O Gaeco também afirma que Orminda e o marido, o pastor Nivaldo de Almeida, mantinham armas em uma propriedade da família para eventual comercialização em benefício da organização criminosa. Nivaldo morreu em 5 de setembro, em decorrência de câncer, e o processo contra ele foi encerrado após sua morte.
A investigação também relaciona Orminda a Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado pelo Gaeco como uma das lideranças da organização criminosa e atualmente foragido. Conforme a denúncia, a pastora teria estado na residência dele, em uma comunidade no Rio de Janeiro.
Outro ponto destacado pelo Ministério Público são cartas enviadas por integrantes presos na PCE. Segundo o Gaeco, alguns deles tratavam Orminda como “mãe” e faziam pedidos relacionados à guarda de dinheiro e ao transporte de objetos para dentro da unidade prisional.
As investigações também apontaram movimentações financeiras envolvendo familiares. Em conversas interceptadas em fevereiro deste ano, Orminda e Rhavenna teriam discutido transferências realizadas por integrantes da facção para o pagamento de veículos pertencentes à família.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos R$ 10,9 mil com Orminda e R$ 1.534 com Rhavenna. Para o Gaeco, os valores estariam relacionados à movimentação financeira investigada.
Além das duas, também foram denunciados Renildo Silva Rios, conhecido como “Veio”, “Velhote” e “Chapa”, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.
De acordo com a denúncia, Orminda, Rhavenna e Renildo respondem por suspeitas de integração em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os demais denunciados respondem por lavagem de dinheiro.
A investigação teve início após uma denúncia anônima sobre a possível utilização de atividades religiosas para facilitar o contato com integrantes da facção dentro da penitenciária. A partir disso, o Gaeco reuniu mensagens, registros financeiros, fotografias e informações sobre viagens, entre outros elementos.
A denúncia foi assinada pelo promotor João Batista de Oliveira e encaminhada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá. As acusações ainda serão submetidas ao processo judicial, e os denunciados têm direito à ampla defesa e ao devido processo legal.