Após séculos de desmatamento, o sul da Bahia vem escrevendo um novo capítulo na história da Mata Atlântica. A região, onde a exploração florestal teve início ainda no período colonial, hoje abriga projetos que apostam na recuperação de espécies nativas e na reconstrução de áreas degradadas.
Um dos exemplos é o trabalho desenvolvido pela Symbiosis Investimentos, que ampliou significativamente sua capacidade de produção de mudas ao longo dos últimos anos. A iniciativa combina reflorestamento com espécies nativas, manejo florestal sustentável e geração de créditos de carbono, demonstrando que conservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
Nos viveiros e áreas de plantio, espécies como pau-brasil, peroba-rosa, braúna, jacarandá-da-Bahia e jequitibá-rosa ganham uma nova oportunidade de voltar à paisagem. Muitas delas estão ameaçadas e possuem sementes cada vez mais difíceis de encontrar, tornando a restauração um trabalho de longo prazo e alta complexidade.
Outro projeto que reforça esse movimento é o Muçununga, localizado em Itagimirim, que busca restaurar mais de mil hectares da Mata Atlântica com o plantio de mais de uma centena de espécies nativas. Além da recuperação da vegetação, a iniciativa também contribui para a captura de carbono e para a preservação da biodiversidade.
Especialistas destacam que restaurar uma floresta significa muito mais do que plantar árvores. É necessário recuperar a fauna, proteger nascentes, restabelecer o equilíbrio ecológico e fortalecer a produção de sementes e mudas para garantir que novas áreas possam ser recuperadas no futuro.
Embora o Brasil tenha assumido o compromisso de restaurar milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, a oferta de mudas de espécies nativas ainda é um dos principais desafios para ampliar esse processo em todo o país.