O clima nos bastidores do PL atingiu um novo patamar de tensão após o rompimento público entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama, que vinha acumulando insatisfações com ataques de aliados dos filhos do marido nas redes sociais, decidiu que havia chegado ao seu limite.
Antes de publicar o vídeo em que classifica a postura do enteado como uma “punhalada”, ela fez questão de comunicar a Jair Bolsonaro sua decisão. Interlocutores próximos descrevem a reação do ex-presidente como uma mistura de compreensão e resignação, comparando sua posição a alguém em meio a um conflito intenso, incapaz de conter um desabafo que já estava, nas palavras de aliados, engasgado há muito tempo.
A surpresa com a postagem gerou uma onda de inquietação entre os políticos da legenda, que agora temem o impacto dessa desunião familiar na imagem da campanha.
O receio é que a dificuldade de entendimento doméstico projete uma sombra de instabilidade sobre uma futura gestão. Para uma ala do partido, o entorno de Flávio subestimou por tempo demais o desgaste da relação entre madrasta e enteado, permitindo que a crise se arrastasse até o ponto de não retorno.
Tentativas de pacificação ocorreram nos últimos meses, mas sempre esbarraram na falta de disposição de ambos para gestos públicos de conciliação: ela resistia ao apoio explícito e ele evitava um pedido formal de desculpas pelas críticas feitas após a atuação de Michelle no Ceará.
O desfecho desse episódio forçou um recuo estratégico do senador. Sem margem para manter o embate após a repercussão do vídeo, Flávio Bolsonaro utilizou suas redes sociais para tentar estancar a crise.
Em um tom de retratação, ele afirmou que nunca teve a intenção de ofender a madrasta e pediu desculpas publicamente, reforçando que reconhece a importância e o que ela representa para o cenário político nacional. Embora o pedido tenha sido feito, o episódio deixa claro que as cicatrizes na cúpula do bolsonarismo são profundas e que o equilíbrio entre os interesses da família e as estratégias partidárias permanece delicado.