Após oito trimestres consecutivos de crescimento, os maiores bancos privados do país registraram queda no lucro líquido no primeiro trimestre de 2026. O levantamento foi divulgado pela consultoria Elos Ayta e aponta desaceleração nos ganhos das principais instituições financeiras brasileiras.
Segundo os dados, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander Brasil somaram lucro líquido combinado de R$ 25,3 bilhões entre janeiro e março de 2026. O valor representa uma queda de 5,8% em relação ao trimestre anterior.
O estudo considera os resultados contabilizados pelas regras brasileiras de contabilidade bancária (BR GAAP/COSIF), sem ajustes gerenciais e sem exclusão de efeitos extraordinários. De acordo com a consultoria, esta foi a primeira retração trimestral desde o quarto trimestre de 2023, quando os bancos haviam registrado recuo consolidado de 9,78%.
Especialistas avaliam que a desaceleração reflete um ambiente econômico mais desafiador, marcado por aumento da inadimplência em alguns segmentos, pressão sobre margens financeiras e custos operacionais elevados. Além disso, o cenário de juros ainda altos continua impactando a demanda por crédito e o desempenho das operações bancárias.
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Mesmo com a retração trimestral, os bancos seguem apresentando resultados robustos em comparação histórica. O setor financeiro brasileiro continua entre os mais lucrativos da economia nacional, sustentado pela forte presença no mercado de crédito, serviços e investimentos.
Analistas destacam que o comportamento dos próximos trimestres dependerá diretamente da trajetória da taxa de juros, do ritmo de recuperação econômica e da confiança do consumidor e das empresas. Caso haja redução mais acelerada dos juros e melhora da atividade econômica, os bancos podem voltar a ampliar seus lucros ainda em 2026.
O desempenho das instituições financeiras também é acompanhado de perto pelo mercado por servir como termômetro da economia brasileira. Resultados mais fracos podem indicar desaceleração no consumo, menor concessão de crédito e aumento da cautela por parte dos investidores.