Os terremotos que sacudiram a Venezuela na última semana deixaram um rastro de destruição que agora começa a ser dimensionado com o auxílio da tecnologia espacial. Uma análise preliminar conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos, aponta que cerca de 58,9 mil edificações podem ter sido danificadas ou completamente destruídas pelos tremores.
O levantamento, fundamentado em dados do satélite europeu Sentinel-1 e divulgado com o suporte da Nasa, oferece um panorama crítico das áreas mais afetadas, concentrando-se especialmente na faixa costeira e no corredor urbano que conecta o interior à capital, Caracas.
O fenômeno, descrito como um “terremoto doblete”, consistiu em dois abalos extremamente fortes ocorridos em um intervalo de apenas 39 segundos na noite da última quarta-feira. O primeiro tremor, com magnitude 7,2, teve seu epicentro próximo a San Felipe, sendo seguido quase imediatamente por um segundo abalo ainda mais potente, de magnitude 7,5, com origem na região de Yumare.
A intensidade dos tremores foi sentida com vigor em estados como Yaracuy, Carabobo e La Guaira, além de provocar pânico e danos estruturais visíveis na região metropolitana de Caracas, onde bairros populosos como Petare e Antímano estão sob monitoramento.
Para chegar a esses números, os cientistas compararam imagens de satélite captadas antes e depois do desastre, identificando mudanças bruscas na superfície que indicam desabamentos ou deslocamentos de destroços. Embora a tecnologia permita uma visão abrangente — cobrindo cerca de 75% da área terrestre afetada até a manhã de quinta-feira —, a Nasa ressalta que os dados são estimativas e não substituem as vistorias presenciais.
A análise serve como um guia estratégico para as equipes de emergência, ajudando a localizar os pontos de maior vulnerabilidade onde o socorro por terra é mais urgente.
Enquanto a Venezuela busca por sobreviventes e contabiliza as perdas humanas, que já ultrapassam a marca de 180 mortos, a infraestrutura do país enfrenta um desafio sem precedentes. A confirmação definitiva sobre a situação de cada prédio ainda depende de inspeções detalhadas no solo e de imagens de altíssima resolução.
No entanto, o mapeamento via satélite já cumpre um papel vital ao revelar a magnitude de uma catástrofe que transformou a paisagem urbana venezuelana em questão de segundos, reforçando a necessidade de uma mobilização humanitária coordenada e precisa.