A empresa brasileira re.green e a farmacêutica Novo Nordisk anunciaram uma parceria de longo prazo voltada à restauração de áreas degradadas na Amazônia. O projeto prevê a recuperação inicial de 500 hectares no município de Paragominas, no Pará, ao longo dos próximos 20 anos, combinando restauração florestal, captura de carbono e conservação da biodiversidade.
Segundo as empresas, a iniciativa faz parte de uma estratégia que une soluções baseadas na natureza ao enfrentamento das mudanças climáticas e à recuperação de ecossistemas degradados.
Projeto prevê geração de créditos de carbono
A expectativa é que a restauração gere aproximadamente 87.895 créditos de remoção de carbono durante o período de execução do projeto.
Os créditos representam a quantidade de dióxido de carbono (CO₂) retirada da atmosfera por meio da recuperação da vegetação nativa e poderão ser utilizados para atender metas de descarbonização e compromissos climáticos.
A primeira emissão desses créditos está prevista para 2031, com auditorias e verificações periódicas até 2045.
Recuperação combina regeneração natural e plantio
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A restauração será realizada em áreas arrendadas por meio de acordos com proprietários rurais da região.
O modelo adotado combina a regeneração natural da floresta com o plantio ativo de espécies nativas da Amazônia, buscando acelerar a recuperação ambiental e aumentar a diversidade de espécies.
O projeto também prevê que até 30% da área possa ser destinada ao manejo sustentável de madeira nativa, respeitando critérios ambientais e de conservação.
Benefícios ambientais e sociais
Além da captura de carbono, a iniciativa pretende recuperar a funcionalidade ecológica da paisagem, favorecendo o retorno da fauna e da flora, protegendo recursos hídricos e aumentando a conectividade entre fragmentos florestais.
As empresas afirmam que o projeto também poderá fortalecer cadeias produtivas locais, incentivando a coleta de sementes, a produção de mudas e a geração de renda para comunidades da região amazônica.
O monitoramento será realizado continuamente por meio de levantamentos em campo e tecnologias de sensoriamento remoto, permitindo acompanhar a evolução da restauração ao longo dos anos.
Mercado de restauração ganha espaço
Projetos dessa natureza refletem uma tendência de expansão das iniciativas de restauração florestal como ferramenta para enfrentar as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável.
Especialistas apontam que, além da compensação de emissões de carbono, essas ações vêm sendo incorporadas às estratégias de conservação da biodiversidade, proteção dos recursos naturais e desenvolvimento territorial.
Ao mesmo tempo, ressaltam que a credibilidade do mercado de carbono depende de critérios rigorosos de transparência, monitoramento independente, permanência das áreas restauradas e geração de benefícios concretos para as populações locais.