A tranquilidade do bairro Silveira, na região Nordeste de Belo Horizonte, foi bruscamente interrompida no início da tarde desta segunda-feira por um cenário que muitos moradores descreveram como o fim do mundo. Um avião monomotor modelo EMB-721C, conhecido popularmente como Sertanejo, colidiu contra um prédio residencial na Rua Ilacir Pereira Lima apenas quatro minutos após decolar do Aeroporto da Pampulha. O impacto ocorreu de forma precisa e assustadora entre o terceiro e o quarto andar do edifício, atingindo especificamente a área da caixa de escada, um detalhe estrutural que, segundo o Corpo de Bombeiros, evitou uma tragédia ainda maior, já que os apartamentos laterais estavam ocupados no momento do choque. A aeronave acabou projetada para dentro da estrutura antes de cair no estacionamento do condomínio, espalhando destroços e um forte odor de combustível que tomou conta de toda a vizinhança.
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Dentro da aeronave estavam cinco pessoas e o desfecho foi fatal para o piloto e um dos passageiros, que não resistiram aos ferimentos no local. Outros três ocupantes foram resgatados em estado grave e encaminhados às pressas para o Hospital João XXIII, enquanto as equipes do Samu e da Defesa Civil isolavam a área para garantir a segurança dos moradores e das estruturas vizinhas. Relatos de quem vive no prédio atingido pintam um quadro de puro pânico, com descrições de uma escuridão repentina e o som ensurdecedor de estilhaços caindo, seguidos por gritos de socorro vindos dos corredores. Felizmente, ninguém que estava no edifício foi atingido fisicamente, mas a evacuação foi imediata, deixando idosos e famílias inteiras em estado de choque na calçada, acompanhando o trabalho exaustivo dos bombeiros.
As investigações sobre o que teria causado a queda já estão em andamento, lideradas por investigadores do Cenipa e da Polícia Civil de Minas Gerais. O que se sabe até agora é que o piloto chegou a reportar à torre de controle dificuldades técnicas logo após a decolagem, sugerindo que a aeronave enfrentava problemas mecânicos antes mesmo de atingir a altitude de cruzeiro. Dados da Anac revelam que o avião, fabricado em 1979, não possuía autorização para operar como táxi aéreo, o que levanta questões sobre a natureza do voo e as condições de manutenção da máquina. Enquanto os peritos coletam dados e preservam os elementos no local do acidente, Belo Horizonte acompanha com pesar o desenrolar de mais uma tragédia aérea que expõe a vulnerabilidade das zonas residenciais situadas nas rotas de decolagem da capital.