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Torres monitoram pela primeira vez o clima em florestas regeneradas da Amazônia para medir papel no combate às mudanças climáticas

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Uma iniciativa inédita na Amazônia está colocando as florestas secundárias, conhecidas popularmente como capoeiras, no centro das pesquisas sobre mudanças climáticas. No município de Capitão Poço, no nordeste do Pará, uma torre de monitoramento de 20 metros começou a coletar dados ambientais para avaliar como áreas em regeneração contribuem para a regulação do clima, o armazenamento de carbono e o equilíbrio dos ecossistemas amazônicos.

O estudo é coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e representa o primeiro monitoramento climático contínuo realizado especificamente em uma floresta secundária da Amazônia.

Comparação entre floresta regenerada e mata preservada

Além da estrutura instalada na área de vegetação em regeneração, os pesquisadores utilizam uma segunda torre, com 40 metros de altura, posicionada em uma área de floresta primária preservada.

O objetivo é comparar o comportamento climático entre os dois ambientes e compreender até que ponto as capoeiras conseguem recuperar funções ecológicas típicas das florestas nativas intactas.

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As informações obtidas poderão ajudar cientistas a medir a eficiência dessas áreas na absorção de carbono, na regulação da temperatura, na manutenção da umidade e nas trocas de energia entre a vegetação e a atmosfera.

Reserva protegida há três décadas

A pesquisa em floresta secundária ocorre em uma reserva particular de aproximadamente 56 hectares preservada há cerca de 30 anos por Manuel Geraldo de Carvalho, agricultor de 93 anos conhecido na região como “Seu Duquinha”.

Ao longo de décadas, ele manteve a vegetação protegida da exploração, permitindo que a floresta se regenerasse naturalmente.

Hoje, a área tornou-se um importante laboratório natural para pesquisadores interessados em compreender como a recuperação da vegetação influencia o clima e a biodiversidade amazônica.

Ciência em família

Entre os integrantes da equipe está a bióloga Laína Carvalho, neta de Seu Duquinha.

Ela participa das pesquisas voltadas à análise do fluxo de energia da floresta, estudando como a vegetação troca calor, vapor d’água e dióxido de carbono com a atmosfera.

Segundo os pesquisadores, essas informações são fundamentais para entender a contribuição das florestas regeneradas na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Sensores funcionarão durante um ano

As duas torres estão equipadas com sensores meteorológicos e instrumentos de alta precisão capazes de registrar continuamente informações sobre temperatura, umidade, radiação solar, velocidade do vento, fluxo de carbono, evapotranspiração e características do solo.

Os equipamentos permanecerão em operação durante aproximadamente um ano, produzindo uma base inédita de dados científicos.

As informações também serão utilizadas para calibrar modelos de sensoriamento remoto por satélite, permitindo estimativas mais precisas sobre o comportamento climático das florestas secundárias em toda a Amazônia.

Capoeiras ganham importância para o futuro da Amazônia

Embora muitas vezes sejam vistas apenas como áreas de vegetação em recuperação, as florestas secundárias ocupam extensas regiões da Amazônia e desempenham papel crescente na restauração ambiental.

Pesquisas indicam que essas áreas podem recuperar parte significativa da biodiversidade, armazenar carbono atmosférico, reduzir temperaturas locais e contribuir para a recuperação de solos degradados.

Os resultados do estudo poderão fornecer novas evidências sobre o potencial das capoeiras como aliadas na adaptação às mudanças climáticas, na conservação da biodiversidade e nas políticas de restauração florestal em todo o bioma amazônico.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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