A dramaturgia brasileira perdeu uma de suas vozes mais marcantes nesta terça-feira. Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, em São Paulo, vítima de complicações decorrentes de uma insuficiência renal crônica, doença com a qual convivia há cerca de três anos.
A informação foi confirmada pelo Hospital HCor, onde o autor estava internado, e o velório será realizado ainda hoje, aberto ao público das três às quatro da tarde no Funeral Home, na região da Avenida Paulista. Filho de uma viúva que não tinha condições de sustentar os cinco filhos, Benedito construiu uma trajetória que começou na pobreza do interior paulista e o transformou no criador de alguns dos maiores fenômenos da televisão brasileira.
Nascido em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, Benedito perdeu o pai muito cedo e precisou trabalhar desde criança para ajudar a família. Começou como auxiliar de guarda-livros, foi vendedor de verduras na feira, faxineiro em um banco e revisor de jornal antes de descobrir o talento que mudaria sua vida.
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Durante uma temporada na zona rural do Paraná, escreveu seu primeiro romance, Fogo Frio, que se tornou peça de teatro dirigida por Augusto Boal e venceu o prêmio principal da Associação Paulista dos Críticos de Arte. O sucesso nos palcos abriu as portas para a televisão, onde ele construiria um legado que atravessaria gerações.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito Ruy Barbosa passou por emissoras como Tupi, Excelsior, Record, Band, Manchete e Globo, mas foram os folhetins de temática rural que o consagraram como um dos grandes nomes da teledramaturgia nacional.
Obra-prima que marcou época, Pantanal, de 1990, foi escrita para a TV Manchete e se tornou um fenômeno de audiência e crítica, abrindo caminho para outros sucessos como O Rei do Gado, Terra Nostra, Renascer e Velho Chico. Sua capacidade de retratar o Brasil profundo, com suas paisagens, conflitos e personagens marcantes, conquistou o público e influenciou uma geração inteira de autores e telespectadores.
Casado por 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa, que faleceu em 2014, Benedito deixou quatro filhos, sendo que Edmara seguiu seus passos na dramaturgia, assim como o neto Bruno Luperi, responsável pelas recentes adaptações de Pantanal e Renascer.
A despedida do autor, que levou para a televisão a alma do interior e a força das histórias simples contadas com grandeza, encerra um capítulo fundamental da cultura brasileira, mas o eco de suas narrativas segue vivo nas reprises, nos remakes e na memória afetiva de um país que aprendeu a se enxergar nas tramas que ele escreveu.