Uma estimativa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais de 4 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos poderão ser afetados caso o governo do presidente Donald Trump confirme a aplicação de uma nova tarifa de importação de 25%. Segundo a entidade, a medida colocaria em risco cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, afetando setores estratégicos da indústria e do agronegócio.
A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que alega a existência de práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. O governo brasileiro, no entanto, contesta a acusação e intensificou as negociações diplomáticas para evitar a adoção das novas tarifas.
Indústria e agronegócio tentam reverter medida
Representantes da indústria brasileira e do agronegócio estão em Washington participando de uma audiência pública promovida pelas autoridades norte-americanas para discutir o tema.
O objetivo da missão brasileira é demonstrar que as exportações nacionais não representam ameaça ao mercado dos Estados Unidos e que a relação comercial entre os dois países é complementar em diversos segmentos.
O governo federal também ampliou o diálogo com autoridades americanas na tentativa de impedir a adoção das novas barreiras comerciais antes da decisão final.
Prazo decisivo termina em 15 de julho
A expectativa é que o governo dos Estados Unidos anuncie sua decisão até 15 de julho.
Atualmente, os cerca de 4,1 mil produtos incluídos na investigação já estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, prevista pela legislação norte-americana e válida até 24 de julho.
Caso as negociações não avancem, novas tarifas poderão ser acumuladas sobre esses produtos.
Taxação pode chegar a 37,5%
Além da tarifa de 25% proposta pelo USTR, outro adicional de 12% poderá ser aplicado sob a justificativa de preocupações relacionadas ao combate ao trabalho escravo.
Se ambas forem implementadas, a carga tarifária adicional poderá atingir 37,5%, aumentando significativamente os custos para exportadores brasileiros e reduzindo a competitividade dos produtos nacionais no mercado americano.
Especialistas alertam que esse cenário pode provocar queda nas exportações, perda de participação de mercado e impactos sobre cadeias produtivas que dependem das vendas para os Estados Unidos.
Produtos estratégicos estão na lista
Entre os principais produtos brasileiros que poderão sofrer impacto com a eventual elevação das tarifas estão:
- Ferro-gusa não ligado;
- Açúcar de cana em forma sólida;
- Álcool etílico não desnaturado;
- Tabaco curado por fumaça ou processado;
- Hidróxido de alumínio.
Esses itens possuem importante participação na pauta de exportações brasileiras e abastecem diversos segmentos da indústria norte-americana.
CNI defende solução técnica
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o Brasil ocupa posição estratégica como fornecedor para os Estados Unidos.
Segundo ele, dos 13 principais produtos potencialmente afetados, o Brasil é atualmente o maior fornecedor do mercado americano em 11 deles.
Após reunião com o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, Alban defendeu a continuidade das negociações diplomáticas.
“Nós temos que manter o diálogo, temos que esperar que o governo possa manter o diálogo dentro dessa lógica técnica. Sabemos que toda uma geopolítica está envolvida, mas precisamos fazer um trabalho o mais técnico possível no processo de convencimento”, afirmou.
Relação comercial segue em negociação
A definição sobre o tarifaço poderá influenciar diretamente o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos, dois dos principais parceiros econômicos das Américas.
Enquanto as negociações prosseguem, governo e setor produtivo trabalham para demonstrar que a manutenção do comércio bilateral beneficia empresas e consumidores dos dois países, evitando prejuízos para cadeias produtivas integradas.