O Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a analisar uma ação penal por corrupção envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Cunha, em um processo que se arrasta há quase uma década e tem origem nas investigações da Operação Lava Jato.
A retomada do caso ocorre após uma mudança no entendimento da própria Corte sobre o foro por prerrogativa de função, conhecido popularmente como foro privilegiado. Com a nova interpretação, processos relacionados a crimes supostamente praticados durante o exercício do cargo podem continuar sob responsabilidade do STF mesmo após o término do mandato do investigado.
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A investigação começou em 2016, período em que Eduardo Cunha ainda exercia forte influência política nacional. Naquele mesmo ano, ele perdeu o mandato parlamentar após ter sido cassado pela Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar. Com a perda do cargo, o processo deixou o Supremo e foi encaminhado para a primeira instância da Justiça Federal, seguindo o entendimento vigente à época.
No entanto, a recente decisão do STF alterou esse cenário. Em julgamento realizado no fim de maio, a Corte reafirmou que o foro especial deve ser mantido para casos relacionados a crimes praticados durante o exercício da função pública e em razão dela, mesmo que o mandato tenha terminado posteriormente.
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Com isso, a ação penal contra Cunha retornou ao Supremo. O ex-deputado foi intimado para apresentar defesa no processo, que também envolve outros cinco réus investigados pelos mesmos fatos.
Mudança pode impactar diversos processos
A nova interpretação do foro privilegiado pode ter reflexos em diversas ações judiciais envolvendo ex-parlamentares, ex-ministros e outras autoridades que exerceram cargos com prerrogativa de foro. Especialistas avaliam que a medida busca evitar mudanças sucessivas de competência durante a tramitação dos processos, o que frequentemente provocava atrasos e discussões processuais.
Por outro lado, críticos argumentam que a decisão amplia a permanência de casos no Supremo, aumentando o volume de ações sob responsabilidade da Corte.
No caso de Eduardo Cunha, a retomada da ação não representa uma condenação, mas sim a continuidade do processo judicial, que seguirá as etapas previstas pela legislação até eventual julgamento de mérito.
Histórico político
Figura central em alguns dos momentos mais marcantes da política brasileira na última década, Eduardo Cunha presidiu a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016 e teve papel de destaque durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Posteriormente, tornou-se alvo de diversas investigações relacionadas à Operação Lava Jato.