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Os presidentes nacionais dos partidos políticos brasileiros embolsaram R$ 2,95 milhões em pagamentos ao longo de 2025, segundo um levantamento do g1 com base nas prestações de contas enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral.

 

Desse total, impressionantes 96% saíram dos cofres do Fundo Partidário — ou seja, dinheiro público. O estudo analisou as 30 legendas registradas no TSE e encontrou remunerações para dez dirigentes, com valores que chegam a R$ 630,5 mil por ano, o equivalente a R$ 52,5 mil mensais.

O maior salário é de Ovasco Roma Altimari Resende, presidente do PRD, que recebeu R$ 630,5 mil integralmente bancados pelo Fundo Partidário. Na sequência aparece José Luiz Penna, do PV, com R$ 501,4 mil no ano, também pagos com recursos públicos.

 

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Os pagamentos se dividem em duas categorias principais: R$ 1,54 milhão classificados como “pessoal” — incluindo salários, 13º e férias — e R$ 1,41 milhão como “serviços técnico-profissionais”, que na maioria dos casos remunera o próprio dirigente como prestador de serviço pessoa física. É o caso de nomes como Renata Hellmeister de Abreu, do Podemos, e Valdemar Costa Neto, do PL.

A legislação não estabelece um teto específico para a remuneração de dirigentes partidários, como explica o advogado especialista em Direito Eleitoral Michel Bertoni. Na ausência de um limite claro na Lei dos Partidos Políticos, algumas legendas adotam como referência o teto constitucional do funcionalismo público, de R$ 46.366,19 mensais — valor inferior ao que alguns presidentes de partido efetivamente recebem.

 

A especialista Denise Schlickmann, da Abradep, acrescenta que a classificação do pagamento depende da função exercida pelo dirigente e que a lei limita as despesas com pessoal das direções nacionais a 50% dos recursos recebidos do Fundo Partidário.

O presidente do PRD, Ovasco Resende, justificou os valores dizendo que atua há 23 anos na direção partidária, coordena as áreas jurídica, contábil e de comunicação da legenda, administra estruturas herdadas de fusões e responde por cerca de 3,6 mil processos. Ele afirmou que abdicou de outras atividades para se dedicar integralmente ao partido e que o pró-labore foi instituído em 2008 pela Executiva Nacional, começando em R$ 6 mil.

 

A realidade, no entanto, é que enquanto a maioria dos brasileiros enfrenta um mercado de trabalho cada vez mais apertado, os valores pagos aos dirigentes partidários acendem um debate incômodo sobre o uso do dinheiro público e os limites da remuneração na política.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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