CentroesteNews
14/01/2026
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, anteriormente conhecida como Reag Investimentos. A empresa, com sede em São Paulo, está sob investigação na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. A operação incluiu mandados de busca em 42 endereços, entre eles os ligados a João Carlos Mansur, fundador da Reag, e ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Foram apreendidos bens de luxo, R$ 97 mil em espécie e documentos que reforçam a apuração.
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A medida tomada pelo Banco Central não afeta diretamente os fundos administrados pela Reag, mas exige que busquem novas instituições para continuar suas operações. Em nota, o BC afirmou que a liquidação foi motivada por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional e que continuará aprofundando as investigações, com possibilidade de aplicação de punições administrativas e comunicação às autoridades competentes. A instituição também informou que os bens dos controladores e ex-administradores foram bloqueados.
A Reag Investimentos, que geria mais de 80 fundos, já havia sido investigada na Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao PCC. Naquela ocasião, a Receita Federal estimou que 40 fundos, com patrimônio conjunto de R$ 30 bilhões, eram usados para ocultar recursos provenientes de fraudes no setor de combustíveis. Apesar da gravidade das acusações, a Reag sempre negou envolvimento com atividades ilícitas e informou estar colaborando com as autoridades em todas as investigações.
O caso do Banco Master, relacionado diretamente à Reag, trouxe à tona uma das maiores fraudes bancárias do Brasil, envolvendo a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões. A liquidação do Master foi determinada pelo Banco Central em novembro passado, e as investigações indicam uma conexão direta entre as operações fraudulentas e a empresa de investimento, que desempenhava papel estratégico na administração de fundos associados ao banco.
A Operação Compliance Zero se junta a uma lista de ações que miram práticas ilícitas no sistema financeiro brasileiro. Por meio dessas investigações, as autoridades destacam a complexidade de esquemas envolvendo instituições financeiras, fundos de investimento e intermediários. A Reag, que já havia enfrentado uma renúncia em sua liderança após acusações ligadas à Carbono Oculto, agora se encontra no olho do furacão novamente. Resta saber como o mercado e os órgãos reguladores irão lidar com os desdobramentos de mais um escândalo financeiro de grandes proporções.