CentroesteNews
03/12/2025
Uma declaração pública de Michelle Bolsonaro voltou a estremecer o núcleo político da família Bolsonaro e abriu mais um capítulo de conflito nos bastidores da direita. Durante um evento do PL Mulher em Fortaleza, no último domingo (30), a ex-primeira-dama criticou duramente a possível aproximação do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), cogitado como aliado para as eleições de 2026.
A fala não foi bem recebida pelos filhos do ex-presidente e por parte da bancada do PL, que consideram a presença de Ciro como uma estratégia eleitoral importante para ampliar alianças no Nordeste. Internamente, o recado de Michelle foi visto como um gesto de resistência e como demonstração de força dentro da legenda.
Desde que Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, a família enfrenta uma lacuna sobre quem irá assumir a liderança simbólica da direita bolsonarista.
Enquanto figuras como Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro tentam ocupar esse espaço, cada um com sua base própria, Michelle desponta como nome competitivo, com forte apelo entre mulheres, evangélicos e eleitores mais moderados.
Apesar de os filhos de Bolsonaro terem pedido desculpas à madrasta por episódios recentes de tensão, o desentendimento em Fortaleza é visto como mais um reflexo da disputa pelo capital político do bolsonarismo, cada vez mais fragmentado desde a prisão do ex-presidente.
Dirigentes do PL admitem, nos bastidores, que há duas linhas em jogo:
A ala que apoia Michelle, defendendo que ela deve ser o rosto do movimento em 2026;
A ala ligada aos filhos, que vêem Michelle crescendo rápido demais e “centralizando” o protagonismo.
Com a campanha presidencial se aproximando e o bolsonarismo buscando manter relevância, o conflito interno se intensifica. A dúvida permanece: quem carregará o legado político de Jair Bolsonaro durante sua ausência?
Por enquanto, a disputa continua aberta, e cada pronunciamento público de Michelle ou dos filhos adiciona mais combustível a uma divisão que já não é mais apenas familiar, mas também partidária.