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Lula critica exclusão da África do Sul do G20 e fala em responsabilidade global por guerras

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou palavras firmes e críticas durante sua participação na 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, na Espanha. Lula abordou temas delicados, como os conflitos globais, a exclusão da África do Sul do G20 e as tensões provocadas por lideranças extremas. Em tom enérgico, o presidente ressaltou sua insatisfação com o cenário atual, especialmente em relação às guerras e à utilização desproporcional de recursos em armamentos enquanto grande parte da população mundial enfrenta fome e dificuldades.

“A gente não pode viver em um mundo onde se gastam trilhões de dólares em armas e, ao mesmo tempo, milhões de pessoas passam fome. Não podemos acordar todos os dias com um líder mundial ameaçando o mundo em tweets, promovendo guerras e instabilidade”, disse Lula, destacando sua preocupação com o avanço de conflitos no Oriente Médio e no impacto das decisões de grandes potências, como os Estados Unidos. Ele questionou se, mais uma vez, os pobres pagarão pela irresponsabilidade dessas guerras.

O petista foi direto em sua crítica ao presidente norte-americano Donald Trump, especificamente em relação às recentes declarações sobre a exclusão da África do Sul do G20. Lula reafirmou que Trump não tem autoridade para decidir unilateralmente sobre o tema, reforçando que o G20 é um espaço multilateral, criado para promover a cooperação entre as principais economias do mundo. “O senhor Trump não é dono do G20. Vamos lutar para que a África do Sul esteja lá, porque é direito dela. Nenhum país tem o poder de excluir outro isoladamente”, afirmou Lula, em apoio ao presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

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A exclusão da África do Sul e o boicote de Trump à cúpula do G20 na África do Sul, em 2025, aprofundaram ainda mais a crise diplomática entre Washington e Pretória. A fala do ex-presidente norte-americano, que acusou falsamente o governo sul-africano de cometer “genocídio” contra fazendeiros brancos, foi amplamente rechaçada por autoridades internacionais e especialistas. Para Lula, essas atitudes refletem uma postura desagregadora que enfraquece os pilares da cooperação global.

Além das críticas ao contexto internacional, Lula também mencionou questões internas do Brasil, como a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de militares envolvidos em tentativas de golpe. Ele reconheceu o avanço no enfrentamento ao extremismo no país, mas destacou que essa luta ainda não acabou. “O extremismo continua vivo e vai disputar a eleição outra vez. Mas esse é um problema do povo brasileiro, e é com as nossas forças que vamos lidar com isso”, afirmou.

Ainda durante o encontro, Lula fez um apelo pelo fortalecimento da ONU, lamentando o enfraquecimento da entidade diante dos interesses de potências que optam por militarizações e decisões unilaterais ao invés de negociações multilaterais. “A ONU é um instrumento valioso, mas precisa funcionar para garantir, por exemplo, a regulação global de plataformas tecnológicas e diplomacia em prol da paz”, destacou. Para o presidente brasileiro, é fundamental que líderes mundiais se unam para debater os rumos do multilateralismo e impedir que prevaleçam os interesses de “senhores da guerra” que se veem acima de tudo.

O Fórum Democracia Sempre, criado em 2024 como iniciativa de líderes progressistas, como Lula e Pedro Sánchez, vem se consolidando como um espaço estratégico para articular a defesa da democracia e promover o diálogo global em tempos de avanço de regimes autoritários e extremistas. Neste ano, no entanto, os debates ocorrem em um contexto global marcado por conflitos armados intensificados e cada vez mais tensões políticas em diferentes regiões, especialmente envolvendo os Estados Unidos e o Oriente Médio.

Ao finalizar sua participação, Lula sugeriu que o documento final do Fórum trouxesse uma convocação geral para que os países membros discutam a destruição do multilateralismo e encontrem soluções capazes de promover a paz e a coexistência pacífica. “Não é possível que a força e o dinheiro de alguns poucos sejam mais importantes do que a democracia e o bem-estar coletivo. Nós temos que lutar para mudar isso”, concluiu.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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