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Preços de alimentos caem e inflação desacelera, fechando junho em 0,24%, aponta IBGE

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Centroeste News — 10/07/2025

Pela primeira vez em nove meses, os preços dos alimentos recuaram, contribuindo diretamente para a queda da inflação oficial em junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,24% no mês, a quarta desaceleração consecutiva.

Apesar da desaceleração, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 5,35%, mantendo-se pelo sexto mês seguido acima do teto da meta do governo, que é de 4,5%. Esse resultado configura o estouro da meta inflacionária, segundo as regras do regime de metas.

Alimentos puxam queda

O grupo alimentação e bebidas recuou 0,18%, com destaque para a alimentação no domicílio, que caiu 0,43%. Entre os itens que mais contribuíram para esse resultado estão:

  • Ovo de galinha: -6,58%

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  • Arroz: -3,23%

  • Frutas: -2,22%

Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a melhora na oferta de alimentos, impulsionada pela boa safra, explica essa queda. Já a alimentação fora do domicílio também desacelerou, passando de 0,58% em maio para 0,46% em junho.

Energia elétrica pressiona IPCA

O principal responsável por segurar uma queda maior da inflação foi o item energia elétrica, que subiu 2,96% e impactou o índice em 0,12 ponto percentual. A alta foi causada pela entrada da bandeira vermelha patamar 1, que adiciona R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos.

Além disso, houve reajustes tarifários em cidades como Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro. “Se excluíssemos a energia elétrica, o IPCA de junho seria de apenas 0,13%”, afirmou Gonçalves.

Demais grupos: transporte e vestuário têm alta

Dos nove grupos analisados pelo IBGE, apenas alimentação e bebidas registraram queda. Confira os principais resultados:

  • Habitação: +0,99% (impacto de 0,15 p.p.)

  • Transportes: +0,27% (impacto de 0,05 p.p.)

    • Destaque para o transporte por aplicativo, que subiu 13,77%

    • Combustíveis caíram 0,42%

  • Vestuário: +0,75% (impacto de 0,04 p.p.)

O índice de difusão – que mostra a proporção de itens com alta de preços – caiu para 54%, o menor patamar desde julho de 2024 (47%).

INPC: impacto maior para famílias de baixa renda

O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos. O índice fechou junho em 0,23% e acumula alta de 5,18% em 12 meses.

Como alimentos pesam mais no orçamento das famílias de baixa renda, o grupo tem maior influência no INPC (25%) do que no IPCA (21,86%). O salário mínimo atual é de R$ 1.518, e o INPC é utilizado como referência para reajustes salariais de diversas categorias.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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