Plantar árvores é frequentemente associado à recuperação ambiental, mas, em alguns ecossistemas do Cerrado, a prática pode causar impactos negativos. É o que alerta um estudo publicado na revista Restoration Ecology.
A pesquisa explica que os campos úmidos são ecossistemas naturalmente abertos, formados principalmente por vegetação herbácea e dependentes da dinâmica do lençol freático. Por isso, tratá-los como áreas florestais degradadas e realizar o plantio de árvores pode alterar características essenciais do ambiente.
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Os pesquisadores analisaram 15 áreas naturais preservadas no Sudeste brasileiro e estabeleceram referências para projetos de conservação e restauração. Nas áreas consideradas saudáveis, foram observados, em média, 87% de cobertura vegetal, predominância de gramíneas, cerca de 5% de solo exposto e nove espécies de plantas por metro quadrado.
A disponibilidade de água também é fundamental. Alterações provocadas por drenagem, assoreamento, barramentos ou mudanças no uso da terra podem comprometer a recuperação da vegetação típica. Quando a umidade adequada não é mantida, espécies invasoras podem ganhar espaço.
Árvores exóticas invasoras, como espécies de Pinus, também representam um problema. Ao aumentar o sombreamento e consumir água, elas podem prejudicar a vegetação característica e contribuir para a redução do nível do lençol freático.
O estudo reforça que restauração ecológica não significa necessariamente reflorestamento. Em ambientes naturalmente abertos, como os campos úmidos do Cerrado, preservar e recuperar as condições originais pode ser mais importante do que simplesmente plantar árvores.