CentroesteNews
28/01/2026
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28), a Operação Devassare, com o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada em estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e organização criminosa, responsável por aplicar o chamado golpe da falsa central bancária em vítimas de diferentes estados do país.
Ao todo, foram cumpridas 27 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão domiciliar, bloqueios bancários, sequestro de bens e medidas cautelares diversas. As decisões foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá e executadas simultaneamente nos estados do Ceará e São Paulo, com apoio das Polícias Civis locais.
Quadrilha atuava a partir do Ceará com ramificações em São Paulo
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, identificaram que o núcleo da organização criminosa estava instalado em Fortaleza (CE), com ramificações operacionais e financeiras em municípios paulistas como Ribeirão Preto, Mauá, Praia Grande e São Bernardo do Campo.
Segundo a Polícia Civil, o grupo possuía uma estrutura organizada, utilizando engenharia social, meios eletrônicos e diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento do dinheiro obtido de forma ilícita.
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Como funcionava o golpe da falsa central
O esquema veio à tona após uma moradora de Cuiabá registrar boletim de ocorrência relatando ter sido vítima de um golpe. Ela recebeu mensagens SMS e ligações telefônicas fraudulentas, nas quais os criminosos se passaram por funcionários de uma instituição bancária.
Durante o contato, os suspeitos informaram sobre uma suposta transação via PIX pendente de cancelamento. Convencida de que estava falando com o banco, a vítima foi induzida a realizar procedimentos em um terminal de autoatendimento, o que resultou na contratação indevida de empréstimo e em transferências financeiras não autorizadas.
Movimentações financeiras levantaram suspeitas
Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram uma intensa movimentação financeira via PIX, além da aquisição de bens patrimoniais incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. Os valores circulavam por diversas contas, muitas em nome de terceiros e empresas de fachada.
Dois dos principais suspeitos, que residem no mesmo endereço, se apresentavam como corretores de imóveis e são sócios de uma empresa registrada em Fortaleza, apontada como possível instrumento de lavagem de dinheiro.
Lavagem de dinheiro e uso de tributos para ocultação
Um dos aspectos mais complexos da investigação revelou que parte dos valores obtidos nos golpes foi utilizada para o pagamento de créditos tributários junto à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). Esses créditos teriam sido posteriormente usados por terceiros para a quitação de IPVA, numa tentativa de dissimular a origem ilícita dos recursos.
Além disso, os investigadores identificaram transferências fracionadas para contas de pessoas físicas e jurídicas, estratégia clássica para dificultar o rastreamento financeiro.
Também foi constatado que recursos saíam do Ceará com destino a São Paulo, onde eram empregados no pagamento de tributos de empresas igualmente alvos de mandados de busca e apreensão.
Polícia busca identificar mais vítimas e envolvidos
Diante das evidências, o delegado responsável pelo caso, Bruno Palmiro, representou pelas medidas judiciais contra os investigados, que foram integralmente deferidas pela Justiça.
“O objetivo é interromper a atividade criminosa, preservar provas, identificar todos os envolvidos e rastrear valores oriundos do crime, fortalecendo a repressão aos delitos patrimoniais eletrônicos praticados pelo grupo”, afirmou o delegado.
As investigações continuam e não estão descartadas novas fases da operação, com a identificação de outros integrantes da quadrilha e de novas vítimas do golpe da falsa central bancária.