CentroesteNews
15/06/2025
Atividades ao ar livre costumam marcar a infância, criando memórias afetivas e fortalecendo o vínculo com a natureza. No entanto, quando esse contato acontece por meio de desastres naturais, como enchentes ou ondas de calor extremo, o impacto pode ser traumático para as crianças.
A especialista em educação e natureza do Instituto Alana, Paula Mendonça, defende que é urgente repensar a relação das crianças com o meio ambiente, especialmente diante da crise climática.
“Precisamos construir escolas e comunidades sustentáveis, saudáveis e resilientes, onde as crianças possam enxergar a natureza como aliada, e não como uma ameaça. Vivenciar um evento climático extremo pode gerar traumas, como medo da chuva ou do calor”, afirma Paula.
Dados do Instituto Alana revelam que 37,4% das escolas de educação infantil e ensino fundamental no Brasil não possuem áreas verdes, 11,3% estão localizadas em favelas e 6,7% funcionam em áreas de risco para desastres naturais.
“A Constituição garante, no artigo 225, o direito de toda criança viver em um meio ambiente saudável. É essencial restaurar a biodiversidade, reduzir a poluição e desenvolver uma educação que conecte as crianças à natureza e as prepare para enfrentar a crise climática”, reforça a especialista.
Programa incentiva escolas mais sustentáveis
Durante o TEDx Amazônia, realizado em Belém, foi anunciado o programa Escolas Baseadas na Natureza, uma parceria do Instituto CCR com o Instituto Alana. A iniciativa oferece formação gratuita, de 40 horas, para professores, gestores e alunos do ensino fundamental de escolas públicas de todo o país, com foco em práticas sustentáveis.
Além disso, será realizado o Prêmio Escolas Baseadas na Natureza, que irá selecionar cinco escolas públicas com projetos de destaque em educação ambiental. Cada uma receberá até R$ 100 mil para melhorias na infraestrutura, além de mentoria pedagógica e consultoria em arquitetura escolar sustentável.
Serão valorizados projetos que incluam pátios naturalizados, hortas pedagógicas, captação de água da chuva, uso de energias renováveis e mobiliário feito com materiais reaproveitados. As inscrições abrem em junho, com resultado previsto para julho.
“Nós já contamos com uma rede de mais de 6 mil professores e 170 mil estudantes em 280 municípios. Queremos que essa expansão aconteça rapidamente, porque lidar com a emergência climática é uma necessidade urgente”, afirma Jéssica Trevisam, gerente de Responsabilidade Social do Instituto CCR.