Pesquisas internacionais indicam que as mudanças climáticas podem estar contribuindo para o aumento do risco de encontros entre tubarões e banhistas em diversas partes do mundo. O tema voltou a ganhar atenção após registros de ataques em Recife e em regiões costeiras da Austrália e dos Estados Unidos.
Segundo estudos realizados principalmente na Austrália, as chuvas intensas favorecem o transporte de esgoto, matéria orgânica e outros resíduos para o mar. Esse material atrai peixes de pequeno porte, conhecidos como peixes-isca, que servem de alimento para os tubarões. Como consequência, os predadores acabam se aproximando mais das áreas frequentadas por banhistas.
Outro fator apontado pelos pesquisadores é o aumento da quantidade de sedimentos na água após fortes chuvas. A redução da visibilidade pode dificultar a identificação de presas pelos tubarões, elevando a possibilidade de que confundam pessoas com alimentos naturais.
Além disso, o aquecimento dos oceanos provocado pelas mudanças climáticas pode alterar as rotas migratórias de diversas espécies marinhas, aumentando a presença de tubarões em determinadas regiões costeiras ao longo do ano.
Especialistas destacam, no entanto, que a presença de tubarões próximo ao litoral não significa necessariamente maior número de ataques. O diretor da Shark Research Foundation, Neil Hammerschlag, explica que a adoção de medidas preventivas é fundamental para reduzir os riscos.
Entre as recomendações estão evitar entrar no mar ao amanhecer e ao entardecer, períodos em que algumas espécies costumam estar mais ativas, além de respeitar orientações das autoridades locais sobre condições do mar e áreas com registros recentes de tubarões.
Os pesquisadores ressaltam que compreender como as mudanças climáticas afetam os ecossistemas marinhos é essencial para desenvolver estratégias de prevenção e reduzir o risco de acidentes sem comprometer a conservação dessas espécies, que desempenham papel importante no equilíbrio dos oceanos.