Mensagens vazadas de um grupo de WhatsApp da Delegacia da Polícia Civil de Sorriso (MT) trouxeram à tona suspeitas de condutas graves, incluindo possível tortura de presos e sugestão de abuso sexual contra detentas. O vazamento, ocorrido em dezembro, teria vindo de um celular funcional roubado meses antes, segundo a Polícia Civil. O material inclui prints e diálogos com conteúdos perturbadores atribuídos a membros da equipe policial, levantando dúvidas sobre a autenticidade e contexto das mensagens.
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Entre os trechos vazados está a conversa de um grupo chamado “DHPP/Assuntos Oficiais”, onde um dos participantes faz comentários explícitos a respeito de uma detenta, falando em “escaldar” e “pode comer”, seguidos de risadas. No mesmo espaço, surgem termos que um policial teria usado para sugerir forjar prisões ou lesionar investigados sem deixar rastros, indicando uma prática sistemática de abuso de autoridade. Apesar de as mensagens terem sido submetidas a análises de tecnologias como o Foto Forensics – que descartaram manipulação – a Polícia Civil afirma que o material pode ter sido editado para atacar a equipe.
Paralelamente, uma detenta relatou ao advogado ter sido vítima de estupro por um investigador da mesma equipe. O caso resultou no indiciamento do policial acusado por estupro e abuso de autoridade. Em reação às denúncias, advogados criminalistas formalizaram queixas contra a delegacia na Corregedoria-Geral da Polícia Civil e na OAB-MT, solicitando providências. No entanto, ainda falta ação prática por parte do Ministério Público.
As revelações também suscitam um histórico de denúncias anteriores. Em 2024, uma jovem denunciou que foi agredida pelos mesmos policiais, levada para um matagal e ameaçada com violência sexual mediante o uso de armas. Segundo seu relato, ela foi agredida fisicamente e intimidada para revelar informações sobre um homicídio supostamente envolvendo seu irmão. O caso segue sem avanços significativos na investigação.
A Polícia Civil de Mato Grosso informou que está apurando os fatos. No entanto, a gravidade dos relatos, somada ao contexto das mensagens vazadas, intensifica o debate sobre a necessidade de controle rigoroso contra abusos cometidos em delegacias e a importância de manter instituições regidas por princípios éticos e legais.