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Menino de 9 anos já havia sofrido acidente com mesma equipe clandestina meses antes de queda fatal de jovem em SP

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Três meses antes da tragédia que chocou o interior paulista, um sinal de alerta já havia sido dado na Ponte do Esqueleto, em Limeira. Em março, uma falha no sistema de freio da corda durante um salto de rope jump quase tirou a vida de um garoto de apenas nove anos, que caiu de uma altura superior a 30 metros enquanto participava de uma atividade promovida pelo grupo “Entre Cordas”.

 

O menino, que saltou acompanhado de um funcionário, foi ouvido pelos presentes apenas pelo silêncio assustador que substituiu o grito de alegria esperado, e o impacto no chão revelou que o equipamento de segurança não havia cumprido seu papel. Apesar do susto e do aviso claro sobre os riscos, a equipe clandestina manteve suas operações no mesmo local, ignorando um prenúncio do que estaria por vir.

O desfecho trágico aconteceu no dia 13 de junho, quando Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, foi arremessada da ponte sem que a corda de segurança estivesse presa ao seu corpo. Um vídeo gravado pelo celular da própria vítima flagrou o momento exato em que ela foi lançada sem o equipamento, e a imagem se tornou peça central nas investigações. A jovem chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.

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A sequência de erros, porém, não terminou com a queda. Testemunhas relataram que uma câmera que estava com Maria Eduarda foi retirada do local logo após o acidente por ordem direta da organizadora do grupo, que exigiu que o aparelho fosse pego e o vídeo apagado, revelando uma tentativa desesperada de ocultar provas.

O inquérito policial encerrado nesta semana mergulhou fundo no modus operandi do grupo e revelou um cenário de desorganização operacional preocupante. Os investigadores apontaram que os saltos eram realizados em ritmo acelerado, com intervalos reduzidos entre cada um, sem isolamento adequado da área e com uma sequência de falhas humanas que tornavam a atividade uma roleta-russa.

 

Quatro pessoas foram indiciadas por homicídio com dolo eventual — aquela modalidade em que se assume o risco de matar — incluindo a chefe da equipe e três funcionários que aparecem nas imagens arremessando a jovem da estrutura. A mensagem de áudio de uma ex-funcionária confirmou que a mesma exigência de ocultar evidências já havia sido feita após o acidente com o menino em março, levando ao indiciamento também por fraude processual.

A Ponte do Esqueleto, que pertencia à extinta Rede Ferroviária Federal e estava sob responsabilidade da Secretaria do Patrimônio da União, teve seu acesso bloqueado com cercas de arame farpado e barreiras de terra após a tragédia. O grupo “Entre Cordas” operava de forma totalmente clandestina há mais de um ano, sem qualquer registro formal de empresa, expondo dezenas de pessoas a riscos inaceitáveis em nome da adrenalina.

 

Enquanto as defesas dos indiciados contestam a tipificação criminal e prometem apresentar suas versões nos autos, as famílias das vítimas carregam o peso de saber que um acidente anterior poderia ter evitado a morte de Maria Eduarda se as autoridades tivessem agido a tempo de interditar a atividade criminosa.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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