CentroesteNews
25/07/2025
Mato Grosso voltou a figurar, pelo segundo ano seguido, no topo do ranking nacional de feminicídios. O dado alarmante foi confirmado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2024, 47 mulheres foram assassinadas por motivação de gênero no estado, representando uma taxa proporcional de 2,5 mortes por 100 mil habitantes, a mais alta do Brasil.
O país contabilizou, ao todo, 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde a promulgação da Lei do Feminicídio, em 2015. Em relação a 2023, houve aumento de 1%, quando o total foi de 1.477 vítimas.
Após Mato Grosso, os estados com maiores taxas são: Mato Grosso do Sul (2,4), Piauí (2,3) e Roraima (2,0). Na contramão, Amapá (0,5), Sergipe (0,8) e Ceará (0,9) registraram os menores índices.
Feminicídios seguidos de suicídio e perfil das vítimas
Outro dado que chama atenção é a quantidade de feminicídios seguidos de suicídio do autor. Mato Grosso lidera também nesse tipo de ocorrência, ao lado de Santa Catarina e Piauí, com 8 casos registrados em 2024.
Apesar do cenário crítico, houve redução no número de vítimas com medida protetiva: de 8 registros em 2023 para apenas 1 em 2024, o que pode indicar maior eficácia na execução de medidas legais, mas também levanta questionamentos sobre o acesso e acompanhamento dessas vítimas.
Segundo o Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, a maioria dos crimes aconteceu dentro da residência das vítimas (24 casos). As faixas etárias mais atingidas foram mulheres entre 18 e 24 anos e entre 35 e 39 anos. Em 2024, 49 crianças e adolescentes ficaram órfãos em decorrência desses crimes, revelando um impacto social intergeracional devastador.
Em 2025, até o mês de julho, 30 novos casos de feminicídio já foram registrados no estado, sinalizando que o problema permanece grave.
Mais tipos de violência monitorados
A 19ª edição do anuário passou a incluir indicadores de nove tipos de violência contra a mulher, como homicídio (tentado e consumado), lesão corporal dolosa, ameaça, perseguição (stalking), violência psicológica e, pela primeira vez, o descumprimento de medidas protetivas de urgência – um marco importante na transparência de dados e no combate à impunidade.