CentroesteNews
06/10/2025
O estado de Mato Grosso registrou, neste domingo (5), o primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol relacionado ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde, que monitora a disseminação da substância em diferentes regiões do país por meio do Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (Cievs).
Com a notificação, Mato Grosso passa a integrar a lista de 14 unidades federativas que investigam casos suspeitos de contaminação por metanol, composto altamente tóxico utilizado de forma ilegal na fabricação de bebidas falsificadas.
De acordo com o boletim mais recente do Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 225 registros de intoxicação — sendo 16 confirmados e 209 ainda em análise. O estado de São Paulo é o epicentro do surto, concentrando a maioria dos casos (192 notificações) e as duas mortes já confirmadas.
Além de São Paulo, há registros em Pernambuco (11), Mato Grosso do Sul (5), Paraná (3), Goiás, Bahia e Rio Grande do Sul (2 cada), além de ocorrências isoladas em Mato Grosso, Ceará, Rondônia, Rio de Janeiro, Piauí e Paraíba.
As autoridades também investigam 13 mortes suspeitas associadas ao metanol — sete em São Paulo, três em Pernambuco e uma em cada um dos estados de Mato Grosso do Sul, Paraíba e Ceará.
O metanol é um tipo de álcool industrial utilizado como solvente e combustível. Diferente do etanol — presente nas bebidas alcoólicas de consumo humano —, o metanol é altamente tóxico, e sua ingestão pode causar cegueira, falência múltipla de órgãos e morte em poucas horas.
O Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais de Saúde reforçam o alerta para que a população não consuma bebidas de origem duvidosa e verifique sempre o selo fiscal e o registro no Ministério da Agricultura antes da compra.
“É fundamental que as pessoas evitem produtos sem procedência, muitas vezes vendidos a preços muito baixos. O risco de intoxicação por metanol é alto e pode levar à morte rapidamente”, destacou a pasta em nota.
Em Mato Grosso, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) informou que está em contato com o Cievs Nacional e os municípios para monitorar possíveis novos casos. A Vigilância Sanitária Estadual deve intensificar as ações de fiscalização em bares, distribuidoras e pontos de venda de bebidas.
O governo também estuda reforçar a parceria com as forças de segurança e o Ministério Público Estadual para investigar a origem da bebida suspeita e rastrear o comércio irregular de álcool adulterado.