CentroesteNews
11/12/2025
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias, afirmou que é preciso investigar se o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), cometeu crime de responsabilidade ao não cumprir a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP).
Segundo Lindbergh, ao levar o caso ao plenário (mesmo com sentença definitiva do STF determinando a perda do mandato) Motta pode ter afrontado diretamente a ordem judicial. Nesta quinta-feira (11), o PT protocolou um mandado de segurança no STF para questionar a decisão da Mesa Diretora.
“Se eu estivesse no lugar dele, não teria nem colocado em votação”, afirmou o líder petista.
Ele reforçou que não existe margem para interpretação quando há determinação judicial definitiva:
“Não se cumpre decisão judicial fazendo política.”
A votação que analisou a cassação de Zambelli ocorreu durante a madrugada.
Foram 227 votos a favor, 170 contra e 10 abstenções, número insuficiente para alcançar os 257 votos necessários para cassar o mandato.
Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF, está presa na Itália, e teve a perda do mandato declarada pelo Supremo. A decisão deveria ser automática.
Para Lindbergh, a atitude de Motta fragiliza a própria imagem da Casa:
“O presidente está chegando ao limite. Está perdendo as condições de comandar a Câmara.”
O episódio se soma ao rompimento público entre Motta e o líder do PT no mês passado, quando o presidente da Câmara afirmou que só trataria com Lindbergh em questões estritamente institucionais.
Lindbergh também comentou a decisão do plenário sobre o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).
O processo pedia a cassação, mas um destaque alterou a pena para suspensão de seis meses, aprovada por 318 votos a 141.
“A gente fica triste pelo caso da Zambelli, mas tivemos uma vitória muito importante. A suspensão do Glauber virou uma vitória de quem defende a democracia”, declarou o líder petista.
Glauber enfrentava um processo por embates físicos com integrantes do MBL dentro da Câmara e por ocupar a Mesa Diretora em protesto. Se cassado, ficaria inelegível por oito anos.




