O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo suas projeções para a economia global diante da escalada da guerra no Oriente Médio, mas, na contramão desse cenário, elevou a expectativa de crescimento do Brasil para 1,9% em 2026.
A mudança chama atenção porque ocorre justamente em um momento de aumento das tensões envolvendo o Irã, que têm impacto direto sobre o mercado global de energia e cadeias de suprimento. Mas, segundo o FMI, esse mesmo contexto pode favorecer economias exportadoras de commodities, como é o caso brasileiro.
Energia mais cara favorece exportadores
Com o risco de interrupções no fornecimento de petróleo, especialmente em regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz, os preços internacionais tendem a subir.
Para o Brasil, isso pode significar aumento nas receitas com exportação de petróleo, derivados e outras commodities ligadas ao setor energético. Mesmo não sendo um dos maiores exportadores globais, o país se beneficia da valorização desses produtos no mercado internacional.
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Efeito positivo também em outras commodities
Além da energia, o Brasil é um dos principais fornecedores mundiais de produtos como soja, milho, minério de ferro e carne bovina. Em cenários de crise global, há uma tendência de valorização dessas commodities, o que melhora a balança comercial brasileira.
Esse movimento fortalece o fluxo de dólares para o país, ajuda a estabilizar a economia e pode impulsionar setores ligados ao agronegócio e à mineração.
Redirecionamento de mercados
Conflitos geopolíticos também costumam reorganizar rotas comerciais. Países afetados por sanções ou instabilidade buscam novos fornecedores, o que abre espaço para o Brasil ampliar sua presença em mercados internacionais.
Esse reposicionamento pode beneficiar exportadores brasileiros, especialmente em regiões que enfrentam dificuldades de abastecimento por conta da guerra.
Contraste com cenário global
Enquanto o Brasil pode colher ganhos pontuais, o FMI alerta que o cenário global é de desaceleração. A guerra pressiona custos, reduz investimentos e aumenta a incerteza econômica, fatores que podem levar diversas economias a um crescimento mais fraco ou até à recessão.
Crescimento com ressalvas
Apesar da revisão positiva, especialistas alertam que os efeitos não são totalmente positivos. A alta nos preços de energia também pode pressionar a inflação interna, encarecer combustíveis e afetar o consumo das famílias.
Ou seja, o crescimento maior previsto pelo FMI não significa ausência de riscos, mas sim uma vantagem relativa do Brasil em um cenário global adverso.