A cidade de Florianópolis foi a única representante da América Latina reconhecida pela Organização das Nações Unidas entre as 20 melhores iniciativas do mundo em soluções de resíduo zero. O reconhecimento internacional colocou a capital catarinense como exemplo de política pública voltada à sustentabilidade, reciclagem e inclusão social.
O município assumiu por lei a meta de alcançar “lixo zero” até 2030 e vem ampliando ações de economia circular e reaproveitamento de resíduos. Entre os avanços registrados estão o desvio de 14% dos resíduos orgânicos dos aterros sanitários e o crescimento expressivo da compostagem de alimentos, que saiu de 1.175 toneladas em 2020 para mais de 6 mil toneladas em 2025.
Além dos impactos ambientais, o modelo também fortaleceu a geração de renda. Atualmente, cerca de 200 famílias vivem da triagem e reciclagem de materiais descartados, integrando cooperativas e projetos sociais ligados à coleta seletiva.
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O destaque conquistado por Florianópolis ocorre em um momento em que o Brasil ainda enfrenta enormes desafios no gerenciamento de resíduos sólidos. Em 2024, o país gerou mais de 88 milhões de toneladas de lixo. Parte significativa desse volume ainda teve destinação inadequada, com lixões e aterros controlados permanecendo ativos em milhares de municípios.
Outro ponto de preocupação está relacionado às emissões de gases do efeito estufa. Os resíduos sólidos respondem por aproximadamente 15% das emissões brasileiras de metano, um dos gases que mais contribuem para o aquecimento global.
Nesse contexto, volta ao centro do debate a proposta de incineração de resíduos para geração de energia. Defensores da tecnologia afirmam que ela pode reduzir o volume de lixo destinado aos aterros e gerar eletricidade. Já especialistas ambientais e setores ligados à reciclagem alertam para os custos elevados, riscos ambientais e impactos sociais do modelo.
Dados internacionais mostram que a implantação de incineradores pode custar até oito vezes mais do que projetos de energia solar fotovoltaica, além de apresentar eficiência elétrica considerada limitada. Em alguns países europeus, o aumento da reciclagem reduziu a disponibilidade de resíduos para alimentar as usinas, gerando questionamentos sobre a viabilidade econômica do sistema no longo prazo.
Na União Europeia, diversos programas passaram a priorizar reciclagem, compostagem e redução da geração de resíduos. Em países como a França, monitoramentos ambientais detectaram preocupação com emissões de poluentes orgânicos associados à queima de lixo, incluindo substâncias tóxicas como dioxinas.
Especialistas em sustentabilidade apontam que modelos baseados em coleta seletiva, compostagem e reciclagem tendem a gerar mais empregos e fortalecer cooperativas locais, além de reduzir impactos ambientais. Florianópolis se tornou um dos principais exemplos brasileiros desse modelo alternativo.
O debate segue aberto entre municípios brasileiros que buscam soluções para o crescimento do lixo urbano, a pressão sobre aterros sanitários e as metas climáticas.