O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, deu um passo decisivo nesta quarta-feira ao oficializar sanções econômicas contra uma rede que operaria a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC) em solo norte-americano. A medida atinge diretamente dois brasileiros, Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além de três empresas sediadas no Brasil e uma em Portugal.
Esta ação marca a primeira ofensiva financeira de Washington após a classificação da facção brasileira como uma organização terrorista internacional, ocorrida em junho, um movimento que amplia o poder de intervenção e monitoramento das autoridades dos EUA sobre ativos e indivíduos ligados ao grupo.
De acordo com o Departamento do Tesouro, Victor Shimada é apontado como uma peça central na engrenagem financeira da facção, atuando como o elo entre membros do grupo na Flórida e traficantes ao redor do mundo. As investigações indicam que ele teria sido responsável por lavar mais de 30 milhões de dólares, utilizando um sofisticado esquema que envolvia o uso de criptomoedas para repatriar recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas para o Brasil.
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Shimada já era uma figura conhecida das autoridades brasileiras, tendo sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em 2025 por envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro que ganharam repercussão no cenário esportivo nacional.
As empresas sancionadas, que incluem a Victory Trading, a Pixwave Soluções de Pagamentos e a Wave Construções Inteligentes, além da portuguesa Avenidas Flutuantes, são descritas como fachadas logísticas para a movimentação desses valores.
O governo norte-americano sustenta que Stella, apontada como parente e colaboradora próxima de Shimada, desempenhava um papel essencial na coleta e na logística de grandes quantias em espécie, garantindo que o fluxo financeiro da rede permanecesse ativo. A operação que resultou nestas sanções é um desdobramento de investigações que já levaram à prisão de outros seis suspeitos na Flórida no início deste ano.
Ao justificar as medidas, o subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, reiterou que o PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos Estados Unidos por utilizar o sistema financeiro do país para ocultar lucros do crime organizado.
A decisão de classificar a facção como grupo terrorista, embora tenha gerado debates diplomáticos, permite agora que os Estados Unidos ajam de forma unilateral para asfixiar as fontes de receita da organização. Com o bloqueio de bens e a proibição de transações comerciais com os citados, Washington busca desmantelar a presença crescente da facção em seu território e enviar um sinal claro de que a vigilância sobre o crime transnacional será implacável.