O quinto dia de buscas por desaparecidos começou neste sábado (28) em meio ao silêncio pesado deixado pelos temporais que devastaram cidades da Zona da Mata mineira. Ao todo, 69 mortes já foram confirmadas na região, enquanto cinco pessoas continuam desaparecidas, segundo dados atualizados da Polícia Civil.
Em Juiz de Fora, são 63 mortos e dois desaparecidos. Já em Ubá, seis mortes foram registradas, além de dois desaparecidos. Na sexta-feira (27), mais um nome foi incluído na lista de desaparecidos em Cataguases, após as fortes chuvas que atingiram o município.
Divergência nos números
Há diferença entre os dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e pela Polícia Civil de Minas Gerais.
Os bombeiros contabilizam 59 óbitos, número que considera apenas os corpos resgatados pelas equipes da corporação. Já a Polícia Civil aponta 63 mortes somente em Juiz de Fora, pois inclui também vítimas que faleceram após o salvamento ou cujos corpos foram removidos por outros meios.
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Buscas seguem em duas frentes
Em Juiz de Fora, os bombeiros mantêm operações intensas nos bairros:
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Paineiras (1 desaparecido)
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Linhares (1 desaparecido)
Equipes trabalham com apoio de máquinas, cães farejadores e voluntários, enfrentando terrenos instáveis e áreas ainda encharcadas. Cada escavação é feita com cautela, há risco de novos deslizamentos.
Enquanto isso, milhares de pessoas seguem desalojadas ou desabrigadas. Famílias inteiras perderam casas, móveis e memórias soterradas pela lama.
Cidade entre as mais vulneráveis do país
O cenário reacende um alerta antigo. De acordo com levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora é a 9ª cidade do Brasil com maior população vivendo em áreas de risco para deslizamentos, enchentes e enxurradas.
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População total: 540.756 habitantes
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Pessoas em áreas de risco: 128.946
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Percentual: 23,7% da população
O dado revela que quase um quarto dos moradores vive sob ameaça constante quando a chuva se intensifica.
Reconstrução será longa
Além do resgate das vítimas, o desafio agora é oferecer acolhimento às famílias afetadas e pensar em soluções estruturais que reduzam a vulnerabilidade urbana. Especialistas apontam que, sem políticas habitacionais eficazes e planejamento urbano consistente, tragédias como essa tendem a se repetir.
Entre sirenes, escavadeiras e orações silenciosas, a região segue contando seus mortos, e tentando salvar os que ainda podem ser encontrados.