CentroesteNews
21/01/2026
Sérgio Nahas, um empresário paulista de 61 anos, foi preso no último sábado, mais de duas décadas após o assassinato de sua então esposa, Fernanda Orfali, de 28 anos, ocorrido em 2002. Nahas foi localizado em Praia do Forte, um dos destinos turísticos mais conhecidos do litoral da Bahia, graças a câmeras de monitoramento com tecnologia de reconhecimento facial. O empresário estava hospedado em uma acomodação de luxo e teve a prisão confirmada em audiência de custódia.
O caso que culminou com a condenação de Sérgio Nahas começou em setembro de 2002, quando Fernanda foi encontrada morta com um tiro no peito no apartamento do casal, localizado em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. Segundo a acusação, Fernanda teria descoberto que o marido era dependente químico e a traía, o que teria gerado tensões no relacionamento. Além disso, a divisão de bens em um possível divórcio seria outro fator preocupante para Nahas. Na ocasião, o empresário inicialmente afirmou às autoridades que ouviu um disparo vindo do closet e que encontrou a esposa agonizando. No entanto, relatos periciais apontaram contradições: o laudo não encontrou vestígios de pólvora nas mãos da vítima e a arma utilizada, sem registro, pertencia a Nahas.
O empresário foi levado a julgamento em 2018, 16 anos após o crime, acusado de homicídio simples. Ele foi inicialmente condenado a sete anos de prisão, mas, após recurso, a pena foi aumentada para oito anos e dois meses. Durante todo o processo, Nahas respondeu em liberdade. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal confirmou a sentença, e um mandado de prisão foi expedido pela Justiça de São Paulo, incluindo o nome do empresário na difusão vermelha da Interpol.
Apesar da sentença e do histórico do caso, a defesa de Nahas alega que ele não estava tentando se esquivar da justiça. Segundo Adriana Machado Abreu, advogada do empresário, ele foi morar na Bahia no ano passado e apresenta problemas graves de saúde, além de ser idoso. A defesa mantém o argumento de que Fernanda teria atentado contra a própria vida, tese rejeitada pelos tribunais.
No momento da prisão, além de localizar Nahas, a polícia apreendeu bens que levantaram mais suspeitas: 13 pinos de cocaína, três celulares e um veículo de luxo da marca Audi. Todo o material foi registrado na Delegacia Territorial de Praia do Forte, e o empresário foi encaminhado à Polinter.