Os estudos ambientais têm como propósito aprofundar a compreensão das relações entre os seres humanos e o seu entorno, além de oferecer bases sólidas para a análise de percepções, atitudes e valores de indivíduos e grupos — um trabalho que se consolida por meio da Educação Ambiental (EA).
Ao observarmos as transformações que acontecem ao nosso redor, percebemos uma lacuna: a falta de sensibilidade da sociedade em relação ao uso responsável do patrimônio ambiental, tanto natural quanto social. Surge então a pergunta central: como sensibilizar as pessoas para que utilizem a natureza de forma consciente? Entre as diversas abordagens existentes, destaco três correntes fundamentais para a construção de uma consciência ecológica:
– Corrente positiva: desenvolve o sentimento de prazer, alegria e admiração no contato com a natureza;
– Corrente negativa: parte da reflexão sobre experiências traumáticas ou danos causados ao meio ambiente;
– A Educação Ambiental alicerça-se na aprendizagem significativa, que conecta conhecimento à vivência das relações eu-outro-meio ambiente em prol da Sustentabilidade.
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As paisagens mudam com o tempo, mas as memórias permanecem: os habitantes de um lugar carregam em si recordações de vivências positivas, de tempos em que o espaço era usado com cuidado e alegria. A corrente positiva valoriza essas lembranças, convidando à reflexão sobre o valor da paisagem e do vínculo com o lugar — base para a formação de um cidadão ambiental, que participa democraticamente e defende a justiça socioambiental.
Já a corrente negativa busca sensibilizar a partir da análise dos impactos que a ação humana causa ao planeta. A Educação Ambiental, em seu sentido mais amplo, tem como missão trazer essas questões à luz da reflexão, formando pessoas capazes de superar limites e resgatar o sentido de pertencimento ao espaço.
Como ensina Paulo Freire, a sensibilização deve partir da realidade vivida pelos sujeitos: independentemente da corrente adotada, o objetivo é tornar o aprendizado significativo, valorizar a forma como cada um percebe e interage com o ambiente, e formar agentes críticos e conscientes da relação entre “eu, o outro e o meio”.
Sensibilizar órgãos públicos e a sociedade para reconhecer, avaliar e proteger o patrimônio natural, social e cultural é uma tarefa que depende de nós. Muitas vezes, gestores e população carecem de informações claras, de processos de sensibilização e de estudos que mostrem não só os danos possíveis, mas também seus efeitos diretos sobre as comunidades.
Ao resgatar a história dessas relações, abrimos caminho para construir um futuro alicerçado na esperança coletiva — no entendimento de que somos parte do meio e não seus donos. Trata-se de uma construção contínua, que deve ser constantemente alimentada por informação, sensibilização e ações locais e globais.
É assim que se concretiza a sustentabilidade, hoje voltada também para a regeneração — especialmente nas cidades, onde se concentram as decisões, as leis e os maiores impactos, mas onde também está o maior potencial para transformar o cuidar do meio ambiente em prática cotidiana.
Por Fernanda de Arruda Machado, doutora em Sustentabilidade. As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade da autora e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial do Centroeste News.