O deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB) voltou ao centro de controvérsias após novas revelações sobre o uso de recursos públicos. O parlamentar, que já havia sido alvo de operação da Polícia Federal e chegou a ser afastado do cargo, agora é citado em denúncias envolvendo o uso indevido da cota parlamentar.
Segundo informações divulgadas neste domingo (3), Santiago utilizou R$ 203 mil em recursos públicos para alugar uma SUV de luxo de uma empresa pertencente a familiares. O montante foi repassado à Construtora e Locadora JMX entre maio de 2024 e março deste ano. A prática é considerada irregular pela Câmara dos Deputados do Brasil, que proíbe a contratação de empresas ligadas a parentes.
A empresa beneficiada pertence a sobrinhos do deputado, o que levanta suspeitas de favorecimento e possível desvio de finalidade no uso da verba parlamentar.
Histórico de investigações e suspeitas
As novas denúncias se somam a um histórico já delicado. Em anos anteriores, Wilson Santiago foi investigado em operação da Polícia Federal que apurava suspeitas de corrupção. O parlamentar chegou a ser afastado do mandato por decisão judicial, embora posteriormente tenha retornado à função.
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Além disso, seu nome também aparece em apurações sobre um suposto esquema de “rachadinha” — prática em que parte dos salários de assessores é desviada. O caso envolve a assessora Ivanadja Velloso Meira Lima, ligada ao atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
De acordo com investigações do Ministério Público Federal, a assessora teria recebido procurações de funcionários para movimentar salários, o que levanta suspeitas sobre a existência de um esquema estruturado dentro dos gabinetes.
Trajetória política consolidada
Apesar das controvérsias, Wilson Santiago possui longa trajetória na política. Natural de Uiraúna, na Paraíba, iniciou sua carreira como defensor público e ingressou na vida política em 1994, ao ser eleito deputado estadual.
Desde então, acumulou mandatos e consolidou presença no Congresso Nacional, sendo eleito deputado federal pela primeira vez em 2002 e exercendo, ao longo dos anos, quatro mandatos na Câmara. Em 2011, chegou a assumir uma cadeira no Senado, mas foi afastado por decisão do Tribunal Superior Eleitoral.
Caso pode ter novos desdobramentos
As novas revelações aumentam a pressão sobre o parlamentar e podem gerar desdobramentos tanto no âmbito político quanto judicial. O uso da cota parlamentar é frequentemente alvo de fiscalização, e casos envolvendo possíveis conflitos de interesse costumam ser analisados com rigor pelos órgãos de controle.
Enquanto isso, o caso segue sob investigação, com expectativa de novos esclarecimentos nos próximos dias.