O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), enfrenta forte pressão após dois pedidos de impeachment serem protocolados na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Ambos os pedidos estão relacionados às investigações envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), transação esta que foi barrada pelo Banco Central por suspeitas de irregularidades. Os documentos apontam possíveis crimes de responsabilidade atribuídos ao governador, que incluem prejuízo ao patrimônio público e falta de transparência no uso de recursos do BRB, instituição controlada majoritariamente pelo governo do DF.
Os pedidos ainda não avançaram na CLDF, pois aguardam a decisão do presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), aliado de Ibaneis, que prometeu analisar a questão após o fim do recesso legislativo. Ocorrem, paralelamente, mais duas solicitações de investigação contra Ibaneis no Ministério Público Federal (MPF), o que evidencia a ampliação da mobilização política e legal em torno do caso.
Entre os principais argumentos elencados nos pedidos de impeachment, estão a alegação de que Ibaneis teria promovido e defendido publicamente uma operação financeira considerada de elevado risco, além de omissão em responsabilizar dirigentes do BRB que participaram do processo. Os documentos também destacam que ele teria politizado uma decisão técnica do Banco Central e descumprido formalidades legais exigidas para operações de tamanha magnitude.
A oposição também critica a negligência na gestão do patrimônio público e apela para que o governador seja afastado durante as investigações, a fim de evitar possibilidades de interferências. Além do PSB e PSOL, outros partidos como PT, Rede, PDT, PCdoB e PV assinam os pedidos de investigação no MPF e no Superior Tribunal de Justiça, reforçando a dimensão nacional que o escândalo começa a ganhar.
Ibaneis nega as acusações, afirmando que reuniões realizadas com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, entre 2024 e 2025, não trataram da aquisição discutida. Contudo, a oposição argumenta que o governador não só teria ciência dos atos como também contribuído politicamente para a tentativa de avançar com a operação, mesmo com os alertas regulatórios.
O desenrolar do caso depende agora da decisão de Wellington Luiz sobre os pedidos de impeachment e da condução das investigações no MPF e na Justiça. A pressão sobre o governador continua a crescer, com implicações que podem afetar o cenário político do Distrito Federal nos próximos meses.




