CentroesteNews
03/12/2025
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso preventivamente nesta quarta-feira (3) pela Polícia Federal, durante a Operação Unha e Carne. A prisão foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
De acordo com a PF, há provas consistentes de que Bacellar vazou dados sigilosos da Operação Zargun — ação que mirava a cúpula do Comando Vermelho (CV) e levou à prisão do deputado estadual TH Joias, acusado de articular politicamente para a facção.
As suspeitas indicam que Bacellar sabia antecipadamente dos passos da PF e teria alertado aliados envolvidos com o crime organizado. Para Moraes, há indícios de que o presidente da Alerj atuou diretamente para obstruir operações e manipular decisões dentro do Executivo estadual, oferecendo risco de continuidade criminosa.
Além da prisão, Moraes determinou o afastamento imediato de Bacellar da presidência da Alerj.
Deflagrada em setembro, a Operação Zargun desarticulou um esquema de tráfico internacional de armas e drogas, corrupção policial e lavagem de dinheiro ligado ao CV. Foram cumpridos 18 mandados de prisão, 22 de busca e o bloqueio de R$ 40 milhões em bens.
Entre os investigados estão:
Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, tesoureiro do CV;
Luciano Martiniano, o Pezão, liderança da facção;
Alessandro Carracena, ex-subsecretário estadual;
Policiais militares e um delegado federal que forneceriam proteção e dados privilegiados.
As investigações apontam que o deputado TH Joias intermediava compras de fuzis, drogas e equipamentos para o CV, além de indicar aliados de criminosos para cargos públicos. Ele teria recebido informações privilegiadas vazadas por Bacellar, prejudicando operações essenciais contra o crime organizado.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, destacou a gravidade do caso:
“Seja traficante armado na favela ou de terno na Assembleia, a resposta do Estado será a mesma.”
O superintendente da PF, Fábio Galvão, afirmou que o esquema envolvia interferência direta na retirada de batalhões policiais de áreas estratégicas a pedido de criminosos.
Após a prisão de TH Joias, o MDB anunciou sua expulsão. As defesas dos citados ainda não comentaram.




