A Alphabet, controladora do Google, registrou lucro de US$ 26,17 bilhões no terceiro trimestre de 2026, resultado inferior ao observado no mesmo período do ano passado. O balanço, divulgado nesta quarta-feira (28), também mostrou que o lucro por ação ficou abaixo das projeções do mercado, apesar do avanço da receita e do desempenho expressivo da divisão de computação em nuvem.
Entre julho e setembro, a companhia obteve receita de US$ 127,6 bilhões, crescimento de aproximadamente 25% na comparação anual. O resultado, no entanto, ficou ligeiramente abaixo das expectativas de analistas consultados pela FactSet, que projetavam US$ 127,96 bilhões.
O lucro por ação foi de US$ 2,12, enquanto a estimativa do mercado era de US$ 3,02. A diferença representa um desempenho cerca de 30% inferior ao esperado.
O resultado líquido também apresentou queda em relação ao terceiro trimestre de 2025, quando a Alphabet havia registrado lucro de US$ 34,98 bilhões.
Google Cloud cresce mais de 100% e se destaca no balanço
Um dos principais destaques do resultado foi o Google Cloud, divisão responsável pelos serviços de computação em nuvem e infraestrutura tecnológica da companhia.
A receita da unidade alcançou US$ 30,709 bilhões no trimestre, mais que o dobro dos US$ 15,157 bilhões registrados um ano antes. O crescimento foi de aproximadamente 103%, impulsionado principalmente pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial, soluções empresariais e serviços de computação em nuvem.
O avanço também foi acompanhado pelo aumento da rentabilidade. O lucro operacional do Google Cloud passou de US$ 3,594 bilhões para US$ 11,121 bilhões no período.
O desempenho reforça a importância da inteligência artificial para a estratégia da Alphabet, que vem ampliando sua capacidade de processamento e oferecendo ferramentas de IA para empresas de diferentes setores.
Serviços do Google ficam abaixo das projeções
A divisão Google Services, que reúne produtos como o buscador, YouTube, assinaturas e dispositivos, registrou receita de US$ 96,3 bilhões no terceiro trimestre.
O resultado representou crescimento de aproximadamente 11% em relação ao mesmo período de 2025, mas ficou abaixo da expectativa de US$ 98,52 bilhões.
A receita do Google Search e de outros serviços relacionados à busca chegou a US$ 63,35 bilhões, enquanto a publicidade do YouTube movimentou US$ 11,2 bilhões.
Apesar do crescimento, os números indicam que a companhia enfrenta o desafio de manter a expansão de seus negócios tradicionais enquanto amplia os investimentos em inteligência artificial.
Perdas financeiras pressionam o lucro
A queda no lucro líquido não foi provocada apenas pelo desempenho operacional. O balanço também foi afetado por perdas relacionadas a investimentos em participações acionárias.
Segundo os resultados divulgados pela empresa, a Alphabet registrou uma despesa líquida de US$ 8,2 bilhões na linha de outras receitas e despesas, que havia apresentado resultado positivo de US$ 12,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025.
A mudança contribuiu para reduzir o lucro líquido, mesmo com o crescimento da receita e do resultado operacional.
O lucro operacional consolidado da companhia, por outro lado, avançou aproximadamente 30%, alcançando US$ 40,6 bilhões.
Inteligência artificial amplia investimentos e pressiona o caixa
O avanço da inteligência artificial também exige investimentos cada vez maiores em infraestrutura, equipamentos e capacidade de processamento.
A Alphabet vem ampliando seus gastos de capital para atender à demanda por serviços de IA e computação em nuvem. Esse movimento acompanha uma tendência entre as grandes empresas de tecnologia, que disputam espaço em um mercado marcado pela expansão de modelos generativos e aplicações empresariais.
Embora o Google Cloud tenha apresentado crescimento expressivo, os investimentos necessários para sustentar essa expansão representam um desafio para a geração de caixa da companhia.
O mercado acompanha de perto a capacidade da Alphabet de transformar os investimentos em inteligência artificial em receitas recorrentes e resultados financeiros sustentáveis.