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“Alerta! Aumento na venda de Ozempic e Mounjaro falsificados preocupa

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CentroesteNews
21/01/2026

Ao longo das últimas décadas, a obesidade se consolidou como uma das mais graves problemáticas de saúde pública em escala global, conforme evidenciam dados alarmantes apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição, que praticamente triplicou no período, não discrimina fronteiras e afeta todas as regiões do planeta. Em 2024, a obesidade esteve associada a impressionantes 3,7 milhões de mortes, e estimativas sugerem que, até 2030, o número de pessoas afetadas pela doença poderá dobrar.

Diante da evolução preocupante desse cenário, avanços significativos foram atingidos nos tratamentos farmacológicos, impulsionados por medicamentos inovadores. No Brasil, a Anvisa aprovou em 2023 o Wegovy, um medicamento à base de semaglutida direcionado ao tratamento do sobrepeso e da obesidade em adultos com comorbidades. Essa mesma substância já marcava presença em outros remédios conhecidos, como o Ozempic e o Rybelsus, ambos originalmente projetados para tratar o diabetes tipo 2, mas que ganharam notoriedade devido à sua eficácia na perda de peso. Mais recentemente, em 2025, outro medicamento, o Mounjaro, também teve sua indicação estendida pela Agência para incluir o tratamento da obesidade.
Apesar das inegáveis conquistas científicas, o crescimento desordenado na procura por medicamentos voltados ao emagrecimento vem gerando distorções graves. Esses remédios, quando usados sem acompanhamento médico e sem prescrição adequada, representam riscos sóbrios à saúde. É expressiva a expansão do uso fora das indicações terapêuticas aprovadas, alimentada especialmente pela busca por resultados rápidos, muitas vezes com fins estéticos. Esse movimento ganhou força nas redes sociais, onde produtos são amplamente divulgados, vendidos por clínicas de estética e comercializados ilegalmente em farmácias de manipulação ou plataformas digitais. Tal exposição fragiliza a segurança dos consumidores, abrindo espaço para o uso de produtos sem qualidade comprovada ou até mesmo misturas falsificadas.

Os desafios se multiplicam no Brasil, onde um estudo do Conselho Regional de Farmácia aponta que 77% da população consome medicamentos sem prescrição médica. Ademais, a forte presença digital do país, posicionando-se como terceiro no mundo em consumo de redes sociais, intensifica a disseminação desses produtos. Não surpreende que o país figure como um dos líderes globais nas buscas online por remédios como Ozempic e Mounjaro.

A facilidade de acesso a essas substâncias está associada a inúmeros riscos invisíveis. Produtos adquiridos pela internet, muitas vezes divulgados com preços atrativos e promessas de milagre, apresentam elevada probabilidade de serem falsificados ou manipulados sem o devido controle de qualidade. Um estudo específico analisou a comercialização de semaglutida por fornecedores online e revelou práticas fraudulentas graves: doses inconsistentes, presença de substâncias tóxicas e pureza do princípio ativo significativamente reduzida. Todos esses fatores ampliam o leque de problemas de saúde, desde reações adversas até complicações fatais.

A circulação ilegal também tem alimentado os esforços de autoridades para conter o problema. Em diferentes estados brasileiros, operações policiais desarticularam esquemas de contrabando e apreenderam remessas significativas de medicamentos como Mounjaro, adquiridos em países vizinhos e revendidos de forma irregular. Muitas dessas ampolas sequer continham os princípios ativos alegados, expondo os consumidores a riscos desconhecidos e graves, que incluem desde infecções bacterianas até reações severas.

A resposta das autoridades sanitárias e dos próprios fabricantes tem sido contundente. Nota técnica da Anvisa reforça que as versões biotecnológicas desses medicamentos, conforme registradas oficialmente, são as únicas com respaldo de segurança e eficácia. Por outro lado, substâncias manipuladas ou daquelas obtidas por síntese química não têm amparo legal no país. Já a farmacêutica Eli Lilly reforça que remédios contrabandeados do Paraguai, com alegações de conter tirzepatida, são falsos e potencialmente perigosos, com relatos de conteúdos ilegais capazes de provocar complicações, algumas fatais.

O problema, contudo, não se resume ao mercado ilegal. A popularização do uso de medicamentos para emagrecimento destaca a fragilidade da comunicação científica em tempos digitais. Redes sociais, inundadas por publicidades disfarçadas de orientações médicas e recomendações de influenciadores, têm facilitado a normalização do uso irresponsável dessas substâncias. Nos bastidores, produtores de desinformação utilizam nomes de instituições respeitadas para legitimar conteúdos enganosos, ampliando os riscos.

Diante desse cenário, torna-se imprescindível a implementação de campanhas educativas que dialoguem de forma clara e acessível com a população. O fortalecimento de canais de denúncias, bem como o monitoramento contínuo das redes sociais por meio de análises rigorosas, como a identificação de padrões de desinformação, pode ser fundamental para mitigar os danos. Só com dados consolidados e a participação ativa da sociedade será possível coibir práticas ilegais e proteger a saúde individual e coletiva.
Em tempos em que o ambiente digital influencia profundamente as decisões em saúde, o desafio maior é garantir que a ciência e os valores éticos ocupem o espaço central nesse debate. Assim, a construção de uma consciência informada poderá, de fato, contribuir para reduzir os riscos associados ao uso indiscriminado de medicamentos e promover escolhas mais seguras diante de um tema tão sensível.
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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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