CentroesteNews
21/01/2026
Ao longo das últimas décadas, a obesidade se consolidou como uma das mais graves problemáticas de saúde pública em escala global, conforme evidenciam dados alarmantes apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição, que praticamente triplicou no período, não discrimina fronteiras e afeta todas as regiões do planeta. Em 2024, a obesidade esteve associada a impressionantes 3,7 milhões de mortes, e estimativas sugerem que, até 2030, o número de pessoas afetadas pela doença poderá dobrar.
Os desafios se multiplicam no Brasil, onde um estudo do Conselho Regional de Farmácia aponta que 77% da população consome medicamentos sem prescrição médica. Ademais, a forte presença digital do país, posicionando-se como terceiro no mundo em consumo de redes sociais, intensifica a disseminação desses produtos. Não surpreende que o país figure como um dos líderes globais nas buscas online por remédios como Ozempic e Mounjaro.
A circulação ilegal também tem alimentado os esforços de autoridades para conter o problema. Em diferentes estados brasileiros, operações policiais desarticularam esquemas de contrabando e apreenderam remessas significativas de medicamentos como Mounjaro, adquiridos em países vizinhos e revendidos de forma irregular. Muitas dessas ampolas sequer continham os princípios ativos alegados, expondo os consumidores a riscos desconhecidos e graves, que incluem desde infecções bacterianas até reações severas.
O problema, contudo, não se resume ao mercado ilegal. A popularização do uso de medicamentos para emagrecimento destaca a fragilidade da comunicação científica em tempos digitais. Redes sociais, inundadas por publicidades disfarçadas de orientações médicas e recomendações de influenciadores, têm facilitado a normalização do uso irresponsável dessas substâncias. Nos bastidores, produtores de desinformação utilizam nomes de instituições respeitadas para legitimar conteúdos enganosos, ampliando os riscos.