Em um mundo onde a informação é tratada como mercadoria imediata e passageira, um episódio recente na Copa do Mundo provou que o ativo mais valioso do jornalismo continua sendo o mesmo de décadas atrás: a credibilidade. O protagonista dessa história não foi um jogador em campo, mas um senhor de 91 anos sentado na sala de imprensa: Enrique Macaya Márquez.
O “Furo” que Parou a Coletiva
A pergunta que todos os jornalistas do mundo queriam fazer ao técnico da Argentina, Lionel Scaloni, era simples: “Messi começa jogando ou vai para o banco?”. Diante de uma plateia ávida por respostas, Scaloni ignorou o protocolo e a defensiva habitual. Ao olhar para Macaya Márquez, o técnico foi categórico:
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“Eu só vou responder porque é o senhor, senão eu ia desviar.”
Ali, diante de todos, Scaloni revelou que o craque começaria no banco contra a Jordânia. Uma resposta que levou segundos para ser dita, mas, como bem pontuado, levou sete décadas para ser merecida.
Sete Décadas de História Viva
Enrique Macaya Márquez não é apenas um jornalista; ele é a memória viva do esporte. Cobrindo sua 18ª Copa do Mundo consecutiva — um recorde reconhecido pela FIFA —, Macaya começou sua jornada em 1958, quando Pelé ainda despontava para o mundo.
Ele narrou a consagração da Inglaterra em 66, o tri do Brasil em 70, o “Carrossel Holandês” de Cruyff em 74 e a era de ouro de Maradona. Sua integridade é tamanha que o próprio Diego Maradona, conhecido por seu temperamento difícil, uma vez parou diante das câmeras apenas para admitir: “Você tinha razão”.
Junho Violeta: O Valor Além do Currículo
O episódio com o jornalista argentino serve como pano de fundo para uma reflexão necessária neste Junho Violeta, mês de proteção à pessoa idosa. Enquanto Macaya é celebrado como referência, milhões de idosos no Brasil enfrentam o silêncio, o abandono e a invisibilidade.
A matéria nos lembra que o valor de uma pessoa idosa não pode estar atrelado apenas à sua produtividade, fama ou aplausos. Envelhecer não é perder valor. Pelo contrário, quando uma vida é pautada pela ética e pela coerência entre fala e ação, o tempo não diminui o indivíduo; ele o transforma em autoridade.
A Coroa de Honra
A sabedoria bíblica e a fé cristã reforçam que honrar os mais velhos é um mandamento, chamando os cabelos brancos de “coroa de honra” quando acompanhados de uma vida justa. Macaya Márquez não recebeu o privilégio da resposta de Scaloni apenas por sua idade, mas por ter honrado sua profissão todos os dias de sua vida pública.
No fim, a lição deixada na sala de imprensa transcende o futebol: a credibilidade não se compra, se constrói. E, para os que sabem ouvir, a voz da experiência ainda é a que traz as respostas mais importantes.