CentroesteNews
02/06/2025
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Anna Vitória Bispo
A recente elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pelo governo federal gerou forte reação do setor produtivo, que vê na medida um entrave ao crescimento econômico. De acordo com representantes da indústria, comércio e serviços, o aumento da alíquota para operações de crédito de empresas — de 0,38% para 0,95% — encarece o capital de giro e desestimula investimentos.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirma que a alta do imposto vai na contramão de políticas como o programa Nova Indústria Brasil (NIB), voltado ao incentivo da produção. Segundo a entidade, o aumento pressiona ainda mais o setor, já impactado pela elevada taxa básica de juros e spreads bancários elevados.
Para Rafael Cervone, presidente do Ciesp e vice da Fiesp, a medida se soma ao chamado “Custo Brasil”, que encarece a produção e dificulta a competitividade. Ele lembra ainda do recente reajuste da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que afeta diretamente a indústria.
A Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) também critica a decisão, destacando que, com a Selic em 14,75% ao ano, o aumento do IOF agrava o custo do crédito e impacta negativamente a atividade produtiva.
No varejo, a preocupação é semelhante. A Fecomércio-BA alerta que o aumento da carga tributária pode gerar distorções no mercado cambial, encarecendo a importação de insumos e bens de capital essenciais para a modernização do parque industrial brasileiro.
Entidades como CNI, CNC, CNA, CNseg, CNF, OCB e Abrasca assinaram um manifesto pedindo ao Congresso a revogação do decreto. Segundo o documento, os custos adicionais para empresas podem chegar a R$ 19,5 bilhões ainda em 2025 e R$ 39 bilhões em 2026.
Felipe Tavares, economista-chefe da CNC, ressalta que o aumento do IOF desestimula o crédito e afeta diretamente a estrutura de custos das empresas. “É uma sinalização ruim para o ambiente de negócios no Brasil”, afirma.
Apesar das críticas, Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, demonstrou otimismo quanto à reversão da medida, destacando que o setor de seguros financia grande parte da dívida pública e será diretamente prejudicado.