O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou o primeiro leilão de animais apreendidos em uma área embargada por desmatamento ilegal na Amazônia. A iniciativa representa um novo passo na estratégia de combate aos crimes ambientais ligados à expansão da pecuária sobre áreas protegidas.
O leilão foi realizado em maio e envolveu 213 bovinos e duas mulas, arrecadando R$ 607,1 mil. Como a apreensão ainda é objeto de contestação judicial, todo o valor obtido foi depositado em conta judicial e permanecerá bloqueado até a conclusão do processo.
Área permanecia embargada desde 2022
Os animais estavam em uma propriedade de 185 hectares, localizada no município de Uruará, no sudoeste do Pará.
A área havia sido embargada pelo Ibama em 2022 para permitir a regeneração natural da vegetação nativa após a constatação de desmatamento ilegal.
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Segundo o órgão ambiental, mesmo após o embargo, a criação de gado continuou na propriedade, o que resultou em novas autuações e multas superiores a R$ 1 milhão, além da apreensão do rebanho.
Nova estratégia busca reduzir impunidade
Tradicionalmente, animais apreendidos em operações ambientais permaneciam sob guarda dos próprios responsáveis pela infração ou aguardavam longo período até definição judicial.
Com a realização do leilão, o Ibama busca impedir a continuidade da atividade considerada irregular, evitar custos prolongados de manutenção dos animais e reduzir a sensação de impunidade relacionada aos crimes ambientais.
A medida também procura tornar mais efetivas as ações de fiscalização em áreas embargadas.
Operação combate entrada de carne ilegal no mercado
A ação integra a Operação Carne Fria, iniciativa do Ibama voltada ao rastreamento da origem do gado produzido em áreas com irregularidades ambientais.
O programa cruza informações de Guias de Trânsito Animal (GTA), do Cadastro Ambiental Rural (CAR), dados geográficos e listas oficiais de áreas embargadas para impedir que animais criados ilegalmente ingressem na cadeia formal da carne.
Um dos principais focos da fiscalização é combater a chamada triangulação do gado, prática em que bovinos criados em propriedades irregulares são transferidos para fazendas aparentemente regulares antes do envio aos frigoríficos, dificultando a identificação de sua verdadeira origem.
Rastreabilidade ganha importância
Especialistas apontam que fortalecer a rastreabilidade da produção pecuária é uma das principais estratégias para reduzir o desmatamento ilegal associado à abertura de novas áreas de pastagem.
Além da fiscalização em campo, o monitoramento da origem dos animais permite responsabilizar economicamente os envolvidos e dificulta a comercialização de produtos provenientes de áreas embargadas.
O caso reforça a importância da integração entre fiscalização ambiental, controle sanitário e rastreamento da cadeia produtiva para impedir que carne produzida em áreas ilegais chegue ao mercado como se tivesse origem regular.