A insegurança pública tem se consolidado como um dos principais desafios para a competitividade da indústria brasileira. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria revela que 81% dos empresários do setor consideram que a violência contribui diretamente para o aumento do chamado “Custo Brasil”, conjunto de fatores que encarece a produção e reduz a competitividade das empresas no país.
O levantamento mostra que os impactos da criminalidade vão além dos prejuízos imediatos causados por roubos e furtos, afetando toda a cadeia produtiva por meio do aumento de despesas com segurança, logística e tecnologia.
Segurança encarece produtos
De acordo com a pesquisa, quase dois terços das empresas consultadas afirmam que os gastos relacionados à proteção do transporte de mercadorias elevam o preço final dos produtos comercializados no mercado.
Além disso, 45% dos empresários entrevistados relataram que investimentos em vigilância, monitoramento eletrônico, sistemas de controle de acesso e proteção patrimonial passaram a representar custos permanentes para as operações industriais.
Essas despesas acabam sendo incorporadas aos processos produtivos, impactando diretamente a formação dos preços e reduzindo a margem de competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes internacionais.
Roubo de cargas preocupa setor
Entre os problemas mais citados pelos empresários está a vulnerabilidade das operações logísticas.
Segundo a pesquisa, 20% das indústrias já sofreram roubos ou furtos de cargas transportadas por rodovias. Em mais de dois terços dos casos registrados, os crimes ocorreram durante o trajeto nas estradas brasileiras.
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O problema gera prejuízos financeiros diretos, interrupções na cadeia de abastecimento e atrasos na entrega de mercadorias, afetando tanto fabricantes quanto consumidores.
O transporte rodoviário responde pela maior parte da movimentação de cargas no Brasil, o que aumenta a relevância da segurança das estradas para o funcionamento da economia nacional.
Cresce preocupação com crimes cibernéticos
Além dos crimes físicos, as empresas também enfrentam ameaças cada vez maiores no ambiente digital.
Ataques cibernéticos, tentativas de invasão de sistemas, roubo de dados corporativos e fraudes eletrônicas passaram a exigir investimentos constantes em segurança da informação.
Com a digitalização crescente dos processos industriais, especialistas alertam que a proteção de dados e sistemas se tornou tão estratégica quanto a segurança física de instalações e cargas.
Impacto na competitividade
A pesquisa reforça que a violência afeta diretamente a produtividade e a capacidade de crescimento do setor industrial brasileiro.
Empresas que precisam destinar parte significativa de seus recursos para proteção patrimonial e mitigação de riscos acabam reduzindo investimentos em inovação, expansão produtiva e geração de empregos.
Para representantes da indústria, o fortalecimento das políticas de segurança pública e o combate ao crime organizado são medidas fundamentais para reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade da economia brasileira.
Desafio para o desenvolvimento econômico
O levantamento da CNI evidencia que a insegurança pública não é apenas uma questão social, mas também econômica. Os custos associados à criminalidade afetam empresas de diferentes portes e segmentos, influenciando desde a produção até o preço pago pelo consumidor final.
Especialistas destacam que avanços na segurança pública podem gerar benefícios não apenas para a população, mas também para o ambiente de negócios, contribuindo para um cenário mais favorável ao crescimento econômico e aos investimentos.