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Golpe do “Falso Executivo” movimenta R$ 193 mil e leva Polícia Civil a deflagrar operação em Mato Grosso

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Uma operação interestadual deflagrada nesta terça-feira (9) mobilizou forças policiais de Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas conhecidas como golpe do “Falso Executivo”. A ofensiva, batizada de Operação Interface, cumpre 87 ordens judiciais contra suspeitos envolvidos em um esquema que causou prejuízo superior a R$ 193 mil a uma empresa do setor industrial gaúcho.

Em Mato Grosso, a ação é coordenada pela Polícia Civil por meio da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá. No estado, estão sendo cumpridos 48 mandados judiciais, sendo 32 de busca e apreensão e 16 de prisão, com alvos localizados em Cuiabá e Várzea Grande.

Ao todo, a operação envolve 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de prisão nos estados investigados, além do bloqueio de contas bancárias ligadas aos suspeitos para impedir a movimentação dos recursos obtidos ilegalmente.

Como funcionava o golpe

As investigações revelaram que os criminosos utilizavam técnicas sofisticadas de engenharia social para enganar funcionários de empresas. O grupo criava perfis falsos em aplicativos de mensagens, utilizando fotografias e informações reais de executivos para se passar por diretores e presidentes de empresas.

O caso que originou a investigação ocorreu em 2025, quando uma assistente financeira de uma indústria do Rio Grande do Sul recebeu mensagens atribuídas ao presidente da companhia. Como o executivo estava viajando e costumava solicitar pagamentos por meio de aplicativos de mensagens, a funcionária não percebeu qualquer irregularidade.

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Seguindo as orientações recebidas, ela realizou diversas transferências bancárias para contas indicadas pelos criminosos. Somente dias depois, ao notar o volume elevado dos pagamentos e a frequência incomum das solicitações, desconfiou da situação. Após verificar o número utilizado, descobriu que não pertencia ao verdadeiro presidente da empresa.

O prejuízo ultrapassou R$ 193 mil.

Estrutura criminosa organizada

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a organização possuía uma divisão clara de funções para dificultar a identificação dos envolvidos.

Entre os integrantes estavam os chamados “conteiros”, pessoas que cediam suas contas bancárias para receber o dinheiro obtido nos golpes. Havia também os “tripeiros”, responsáveis por recrutar esses titulares de contas em troca de comissões. Acima deles atuavam gerentes e articuladores responsáveis pelo planejamento das fraudes.

Os investigadores também identificaram o executor direto do golpe e o principal articulador do esquema. Ambos possuem antecedentes relacionados a crimes semelhantes.

Estratégia para esconder o dinheiro

Um dos principais desafios enfrentados pelos investigadores foi a chamada pulverização financeira, método utilizado para dificultar o rastreamento dos recursos.

Logo após o recebimento das transferências, os valores eram fragmentados e enviados rapidamente para dezenas de contas bancárias espalhadas por diferentes estados brasileiros. Muitas dessas contas estavam vinculadas a instituições financeiras digitais, tornando o monitoramento mais complexo.

De acordo com o delegado Bruno Palmiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, essa estratégia retarda bloqueios judiciais e dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos desviados.

Crescimento das fraudes corporativas

A delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, alerta que esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais frequente no ambiente corporativo brasileiro.

Segundo ela, os criminosos realizam uma verdadeira pesquisa sobre as empresas antes de agir. Eles identificam executivos, funcionários do setor financeiro e padrões internos de comunicação para construir abordagens altamente convincentes.

O uso de informações públicas disponíveis na internet, fotografias de executivos e dados corporativos facilita a criação de perfis falsos que aparentam legitimidade.

Recomendações para empresas

Diante do aumento dos casos, a Polícia Civil orienta empresas a adotarem protocolos rígidos para autorizar movimentações financeiras.

Entre as principais medidas recomendadas estão:

  • Confirmar solicitações de pagamento por mais de um canal de comunicação;
  • Exigir dupla validação para transferências de valores elevados;
  • Verificar alterações de contas bancárias diretamente com fornecedores;
  • Realizar contato telefônico ou presencial com o responsável pela solicitação;
  • Promover treinamentos periódicos para equipes financeiras e administrativas.

Especialistas destacam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta contra golpes de engenharia social, modalidade criminosa que vem movimentando milhões de reais em todo o país.

Operação Pharus

A Operação Interface também integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026 dentro da Operação Pharus, programa voltado ao combate de organizações criminosas e fraudes eletrônicas.

A iniciativa reforça a cooperação entre unidades policiais, órgãos de inteligência e instituições financeiras para enfrentar crimes digitais cada vez mais sofisticados e com atuação em diferentes estados brasileiros.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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