O governo federal prepara a instalação de duas novas estruturas voltadas ao enfrentamento do crime organizado no Brasil. Batizados de Escritórios Nacionais Antifacção (ENA), os centros serão implantados nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, consideradas estratégicas para as ações de inteligência e repressão às organizações criminosas que atuam em todo o território nacional.
A iniciativa será coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e faz parte de uma estratégia para ampliar a presença da União em regiões apontadas como centrais para o funcionamento das maiores redes criminosas do país.
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Segundo o planejamento do governo, os escritórios devem começar a operar ainda neste mês, atuando na integração de informações, compartilhamento de inteligência e coordenação de operações conjuntas entre forças federais, estaduais e municipais de segurança pública.
A escolha das duas capitais não ocorreu por acaso. São Paulo é apontada pelas autoridades como o principal centro de atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto o Rio de Janeiro é historicamente associado ao surgimento e à expansão do Comando Vermelho. Ambas as organizações possuem influência que ultrapassa as fronteiras de seus estados de origem e alcança diferentes regiões do país, além de conexões com rotas internacionais de tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
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A criação dos escritórios representa uma mudança na estratégia de combate ao crime organizado, com foco na atuação permanente e integrada. Em vez de concentrar esforços apenas em operações pontuais, o objetivo é fortalecer a produção de inteligência e o monitoramento contínuo das atividades criminosas, permitindo respostas mais rápidas e coordenadas.
Especialistas em segurança pública avaliam que a integração entre diferentes órgãos é um dos principais desafios do combate às facções. Muitas vezes, informações importantes ficam dispersas entre instituições distintas, dificultando investigações e ações preventivas. Nesse contexto, os ENAs poderão funcionar como centros de articulação e compartilhamento de dados estratégicos.
O Ministério da Justiça também estuda a possibilidade de ampliar o modelo para outras capitais brasileiras no futuro, especialmente em regiões que registram crescimento da atuação de grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas, contrabando e crimes financeiros.
A medida surge em um cenário de crescente preocupação das autoridades com a expansão das facções para além dos grandes centros urbanos. Nos últimos anos, organizações criminosas têm fortalecido sua presença em áreas de fronteira, corredores logísticos e cidades médias, ampliando sua influência econômica e territorial.