O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste em até cinco dias sobre a possibilidade de inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro no inquérito que investiga a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro junto a autoridades dos Estados Unidos.
A decisão atende a um pedido apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias, do PT, que solicitou a ampliação dos alvos da investigação. O parlamentar defende que Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro sejam incluídos no inquérito que apura suposta coação e tentativa de obstrução de Justiça atribuídas a Eduardo Bolsonaro.
Na notificação enviada à PGR, Alexandre de Moraes citou a investigação relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Segundo o ministro, há necessidade de apurar possível ligação entre os recursos envolvidos no projeto e valores negociados por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
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Para Moraes, parte dos recursos pode ter sido utilizada para financiar ações internacionais ligadas a Eduardo Bolsonaro, incluindo campanhas por sanções contra autoridades brasileiras, restrições de vistos, aplicação de tarifas econômicas ao Brasil e tentativas de pressionar decisões judiciais envolvendo os processos da chamada trama golpista.
Na semana passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, pediu a condenação de Eduardo Bolsonaro no âmbito do Inquérito nº 4.995. Segundo a PGR, o ex-deputado teria atuado nos Estados Unidos para buscar sanções contra autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país.
O caso amplia a tensão política envolvendo integrantes da família Bolsonaro e investigações conduzidas pelo STF e pela Polícia Federal. A depender da manifestação da PGR, Alexandre de Moraes poderá decidir pela ampliação formal do inquérito e inclusão de novos investigados.