O mercado de etanol registrou alta nos preços após oito semanas consecutivas de queda, em meio às dificuldades provocadas pelas chuvas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do país. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o excesso de precipitações causou paralisações pontuais na moagem e reduziu o ritmo de processamento nas usinas.
De acordo com pesquisadores do Cepea, parte das usinas decidiu se afastar temporariamente das negociações diante das incertezas causadas pelo clima. Outras unidades mantiveram valores mais elevados nas ofertas, contribuindo para sustentar as cotações do combustível no mercado.
As negociações seguiram em volumes reduzidos, com foco principalmente na retirada de cargas já adquiridas anteriormente pelas distribuidoras. O comportamento mais cauteloso dos compradores reflete a expectativa de aumento da oferta de etanol conforme o avanço da safra de cana-de-açúcar nas próximas semanas.
As chuvas têm impacto direto sobre a colheita e o transporte da cana, dificultando a entrada da matéria-prima nas usinas e comprometendo o ritmo da produção. Além disso, a umidade elevada pode afetar a qualidade da cana e reduzir a eficiência industrial no processamento.
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Mesmo com a recente alta nos preços, o mercado ainda monitora o potencial de crescimento da oferta ao longo da safra. Analistas avaliam que, caso as condições climáticas melhorem, a produção tende a se intensificar, o que poderá aumentar a disponibilidade do combustível e pressionar novamente os preços.
O setor sucroenergético também acompanha de perto a relação entre a produção de açúcar e etanol, já que muitas usinas ajustam o direcionamento da cana conforme a rentabilidade de cada produto no mercado interno e internacional.
Especialistas destacam que o comportamento do etanol influencia diretamente o bolso do consumidor, especialmente em estados onde o biocombustível possui forte competitividade frente à gasolina.