Mato Grosso registrou 1.102 homicídios em 2024 e manteve uma taxa de violência letal acima da média nacional, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados no Atlas da Violência 2026 nesta terça-feira (26).
De acordo com o levantamento, o estado apresentou taxa de 29,1 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional ficou em 20,1 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Apesar de uma leve redução de 1,7% no número de mortes em comparação com 2023, Mato Grosso aparece entre os estados que mais agravaram a violência letal nos últimos cinco anos.
O estudo aponta que, entre 2019 e 2024, houve aumento de 14,1% na taxa de homicídios no estado. Em números absolutos, o crescimento foi ainda maior: 23,1% no total de assassinatos registrados no período.
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Violência letal é o termo utilizado para definir agressões ou crimes que resultam na morte da vítima, incluindo homicídios dolosos, latrocínios e outras ocorrências fatais relacionadas à criminalidade.
Apesar do cenário preocupante recente, o Atlas também mostra que, no comparativo dos últimos 10 anos, Mato Grosso apresentou redução de 30,9% na taxa de homicídios. Os pesquisadores, porém, alertam que os dados devem ser analisados com cautela devido ao aumento das mortes violentas por causa indeterminada, categoria que pode esconder homicídios não classificados oficialmente.
Entre os fatores apontados para a redução parcial dos homicídios estão mudanças nas políticas de segurança pública, estratégias municipais de combate ao crime com base em mapeamento das regiões mais violentas, alterações na dinâmica de facções criminosas e até o envelhecimento populacional, já que jovens continuam sendo as principais vítimas da violência letal no país.
O Atlas também relembra casos de grande repercussão registrados em Mato Grosso em 2024. Um dos crimes ocorreu em Peixoto de Azevedo, quando a pecuarista Ines Gemilaki e o filho, Bruno Gemilaki Dal Poz, invadiram uma residência e mataram dois idosos. Durante o ataque, um padre também ficou ferido.
Outro caso que chocou o estado aconteceu em Várzea Grande, envolvendo o assassinato de três motoristas por aplicativo. As investigações apontaram a participação de adultos e adolescentes ligados aos crimes, classificados pela polícia como ações em série.
Já em Nobres, um acidente de trânsito terminou em duplo homicídio após uma discussão entre ocupantes dos veículos envolvidos. O acusado, Jessé de Arruda Santana, foi condenado em 2026 a mais de 39 anos de prisão, mas segue foragido.
Especialistas apontam que o avanço da criminalidade organizada, disputas entre facções, tráfico de drogas e vulnerabilidade social continuam entre os principais desafios enfrentados pela segurança pública mato-grossense.