Uma nova abordagem no combate ao câncer associado ao Papilomavírus humano apresentou resultados promissores em pesquisa conduzida pela Northwestern University e publicada na revista Science Advances.
Diferente das vacinas tradicionais de prevenção, o estudo testa um imunizante terapêutico, desenvolvido para tratar pacientes que já possuem tumores causados pelo vírus.
Como funciona a nova estratégia
A vacina utiliza fragmentos modificados do HPV presentes também nas células tumorais. Ao entrar em contato com essas partículas, o sistema imunológico passa a reconhecer com mais eficiência as células doentes e atacá-las.
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Segundo o oncologista Henrique Alkalay Helber, a tecnologia estimula diretamente a resposta do organismo contra o câncer.
Resultados animadores
Nos testes, o imunizante experimental — chamado N-HSNA — aumentou em até oito vezes a capacidade das células de defesa de identificar tumores.
Os resultados foram observados tanto em modelos animais quanto em testes laboratoriais com células humanas. Em camundongos, houve aumento da sobrevida e redução significativa dos tumores, especialmente quando combinado com imunoterapia.
“Óculos especiais” para o sistema imunológico
A imunologista Ana Karolina Marinho compara o efeito da vacina a um aprimoramento da visão do sistema imune.
“É como dar às células de defesa a capacidade de enxergar melhor as células doentes”, explica.
Potencial de impacto global
O HPV está associado a diversos tipos de câncer, incluindo:
- Colo do útero
- Ânus
- Vulva
- Vagina
- Pênis
- Boca e garganta
Estima-se que cerca de 5% dos casos de câncer no mundo estejam relacionados ao vírus.
Próximos passos
Apesar dos resultados promissores, o imunizante ainda está em fase de pesquisa e precisa avançar para testes clínicos em humanos antes de chegar à prática médica.
Especialistas ressaltam que a prevenção com vacinas já disponíveis continua sendo a principal estratégia para reduzir a incidência desses cânceres.