Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações superiores a R$ 1 bilhão realizadas em um período de cinco anos por uma empresa da família de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo as informações divulgadas, as operações ocorreram exclusivamente entre contas ligadas ao empresário.
A empresa citada no levantamento é a Multipar, que teria concentrado transferências entre 2020 e 2025, período em que Vorcaro avançou na estruturação do Banco Master. A marca ganhou força a partir de 2021, após autorização do Banco Central para aquisição do banco Máxima, aprovada anteriormente em 2019.
De acordo com o relatório, o padrão das movimentações chamou atenção por indicar possível estratégia de reorganização patrimonial ou tentativa de ocultação de bens. O Coaf produz comunicações desse tipo quando detecta operações consideradas atípicas no sistema financeiro.
Esses relatórios não representam condenação automática nem prova definitiva de irregularidade, mas servem como instrumento de inteligência para subsidiar investigações de órgãos competentes, como Ministério Público, Polícia Federal e autoridades reguladoras.
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A revelação aumenta a atenção sobre o Banco Master, instituição que ganhou espaço no mercado financeiro nos últimos anos, especialmente em produtos de renda fixa e expansão de operações bancárias. O crescimento acelerado da instituição vinha sendo acompanhado de perto por analistas e reguladores.
Especialistas explicam que movimentações entre empresas e pessoas do mesmo grupo econômico podem ocorrer legalmente, desde que tenham lastro contábil, finalidade econômica clara e estejam devidamente declaradas aos órgãos competentes. O problema surge quando transações apresentam características incompatíveis com práticas usuais de mercado.
Até o momento, a divulgação do relatório não implica condenação judicial dos envolvidos. O caso poderá evoluir conforme eventual abertura de investigações formais ou apresentação de esclarecimentos pelas partes citadas.
O episódio reacende o debate sobre transparência societária, monitoramento de fluxos financeiros complexos e a importância dos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro no sistema bancário nacional.