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Guerra e El Niño elevam risco de inflação dos alimentos e pressionam custo de vida no Brasil

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O impacto do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e fertilizantes ganhou um novo componente de preocupação para economistas e produtores rurais: o avanço do fenômeno climático El Niño. A combinação entre crise geopolítica e instabilidade climática já levou bancos e consultorias a revisar para cima as projeções de inflação para 2026.

A avaliação de especialistas é que esses dois fatores podem pressionar diretamente o agronegócio brasileiro, reduzindo produtividade em algumas culturas, elevando custos de produção e refletindo no preço final dos alimentos consumidos pelas famílias.

No cenário internacional, tensões no Oriente Médio costumam afetar o mercado global de petróleo, elevando o valor dos combustíveis. No Brasil, isso impacta especialmente o diesel, principal fonte energética utilizada no transporte rodoviário e em máquinas agrícolas. O aumento do combustível encarece fretes, plantio, colheita e distribuição.

Outro reflexo importante está nos fertilizantes. O agronegócio brasileiro depende fortemente de insumos importados, e qualquer instabilidade global pode dificultar oferta, elevar preços e comprometer o planejamento das próximas safras.

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Ao mesmo tempo, o El Niño aumenta os riscos climáticos em várias regiões produtoras do país. No Sul, a previsão de chuvas acima da média preocupa agricultores, especialmente os produtores de arroz. O excesso de umidade pode prejudicar o manejo das lavouras, atrasar operações no campo e elevar perdas de qualidade e produtividade.

O trigo também entra na lista de culturas ameaçadas pelo excesso hídrico. Com solo encharcado e maior incidência de doenças fúngicas, o cereal pode registrar queda no rendimento e aumento nos custos de controle sanitário.

Economistas avaliam que, quando clima adverso se soma ao encarecimento de insumos, o resultado tende a ser inflação de alimentos. Produtos básicos podem subir de preço, pressionando principalmente famílias de baixa renda, que destinam maior parte do orçamento à alimentação.

Instituições financeiras já começaram a recalcular estimativas para 2026, diante da possibilidade de uma safra mais cara e de custos logísticos elevados. Caso o cenário se mantenha, o Banco Central também pode enfrentar maior dificuldade no controle inflacionário.

Especialistas defendem medidas como ampliação de estoques reguladores, incentivo ao seguro rural, investimento em irrigação e logística mais eficiente para reduzir os impactos sobre consumidores e produtores.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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