CentroesteNews
19/11/2025
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela um cenário preocupante em Mato Grosso: 92 dos 141 municípios do estado, o equivalente a 65%, apresentam domínio ou forte presença de facções criminosas. O dado contrasta com o discurso do governador Mauro Mendes, que afirma haver “tolerância zero” contra o crime organizado no estado.
O estudo mostra ainda que seis municípios mato-grossenses estão entre os 20 mais violentos da Amazônia Legal, região composta por nove estados.
A falta de efetivo policial é apontada como uma das principais causas do avanço das facções. Muitos municípios contam com apenas três ou quatro policiais, o que fragiliza a segurança e deixa comunidades vulneráveis ao domínio criminoso.
Mesmo com mais de mil aprovados em concurso aguardando nomeação, o governo estadual resiste em reforçar o efetivo, segundo o levantamento.
Os números fazem parte da 4ª edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, realizado em parceria com o Instituto Clima e Sociedade, Instituto Itausa, Instituto Mãe Crioula e Laboratório Laiv.
A Amazônia Legal possui 772 municípios, e 344 já apresentam evidências da presença de facções, um crescimento de 32,3% em relação ao ano passado.
Segundo o FBSP, a expansão está ligada ao controle de rotas do tráfico e a crimes como o garimpo ilegal.
De acordo com David Marques, gerente de projetos do FBSP, várias regiões do estado enfrentam conflitos entre facções, inclusive dissidências internas, como a Tropa do Castelar, que atua em áreas próximas à fronteira com a Bolívia.
A presença de garimpeiros ilegais e a formação de proto-milícias também elevam os índices de homicídios em áreas como a Terra Indígena Sararé.
As seis cidades do estado que estão entre as mais violentas da Amazônia são:
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Vila Bela da Santíssima Trindade – rota estratégica do tráfico pela proximidade com a Bolívia;
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Nobres – sob influência do Comando Vermelho, registra conflitos com o PCC;
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Alto Paraguai – dominado pela Tropa do Castelar, próximo às BR-163 e BR-364;
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Barra do Bugres – rota de escoamento de drogas, disputada por CV e PCC;
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Aripuanã – marcada por garimpo ilegal, tráfico e atuação do CV em terras indígenas;
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Sorriso – área estratégica e rica, alvo de disputa intensa entre CV e PCC desde 2023.
São 17 grupos identificados na Amazônia Legal, entre nacionais, locais e internacionais. O Comando Vermelho (CV) tem influência em 83% das cidades com facções, chegando a 286 municípios, crescimento de 123% desde 2023.
O PCC aparece em 90 municípios, com domínio ou disputa em diferentes áreas.
Segundo o FBSP, a estratégia “franqueada” do CV facilita sua expansão, enquanto o PCC possui estrutura mais centralizada em São Paulo, o que limita sua presença territorial.
Presença por estado na Amazônia Legal
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Acre: 22/22 (100%)
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Amapá: 10/16 (62,5%)
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Amazonas: 25/62 (40%)
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Maranhão (parte amazônica): 53/181 (29%)
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Mato Grosso: 92/141 (65%)
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Pará: 91/144 (63%)
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Rondônia: 21/52 (40%)
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Roraima: 13/15 (80%)
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Tocantins: 17/139 (12%)